Moradores de Ponta Negra, no litoral de Maricá, relatam que as confusões no horário de saída da praia e a desordem nos ônibus municipais de tarifa zero, os “vermelhinhos”, vêm se tornando cada vez mais frequentes. A situação voltou a se repetir na última terça-feira (13/01), quando houve registro de superlotação extrema, com passageiros chegando a andar sobre o teto de um dos coletivos, segundo relatos e vídeos que circularam nas redes sociais.
De acordo com moradores e comerciantes da região, o cenário tem se agravado nas últimas semanas e vem gerando sensação de insegurança em um bairro que, até pouco tempo, era visto como mais tranquilo, principalmente no período noturno e no fim do dia.
Além da superlotação, há relatos constantes de brigas, empurrões, tumultos e atos de vandalismo no interior dos ônibus e nos pontos de embarque, especialmente no fim da tarde e início da noite, quando há grande fluxo de pessoas deixando a orla.
Fim das vans agravou o problema
Segundo moradores, um dos fatores que contribuíram para o aumento da lotação foi a retirada da linha de vans que atendia o bairro de Ponta Negra. Com isso, trabalhadores que antes utilizavam esse serviço passaram a depender exclusivamente dos “vermelhinhos” para retornar para casa.
“Antes a gente conseguia voltar de van depois do trabalho. Agora só tem o vermelhinho, que já vem lotado da praia. Fica impossível entrar”, relatou um morador ao Maricá Info sob a condição de anonimato.
A consequência tem sido a sobrecarga do sistema e a repetição de cenas de superlotação, o que gera cobranças por parte da população por mais veículos e reforço na frota, principalmente nos horários de pico.
Guarda Municipal atua, mas moradores pedem reforço da PM
Na última terça-feira (13), equipes da Guarda Municipal estiveram em Ponta Negra para tentar conter os tumultos e organizar o fluxo de passageiros. Segundo informações apuradas pelo Maricá Info, existe um protocolo interno da Empresa Pública de Transportes (EPT) que orienta os motoristas a interromperem a viagem e acionarem apoio em casos de baderna ou confusão dentro dos coletivos.
Apesar disso, moradores avaliam que a situação exige também um reforço da Polícia Militar, principalmente nos horários mais críticos.
A preocupação é que, mesmo com atuação ativa da Guarda Municipal, os agentes não utilizam armamento letal, o que pode colocá-los em risco em situações de confronto, especialmente quando há relatos de uso de garrafas, objetos cortantes e até armas brancas durante brigas.
Aumento de visitantes também pressiona o sistema
Outro fator apontado por moradores é o crescimento do número de visitantes vindos de municípios vizinhos, como Itaboraí, que também contam com linhas de transporte gratuito e acabam utilizando o sistema de Maricá para acessar as praias.
Esse fluxo adicional acaba sobrecarregando ainda mais os ônibus, especialmente no fim do dia, tornando a volta para casa do trabalhador mais demorada, cansativa e insegura.
Moradores de Ponta Negra defendem que o município avalie o reforço da frota, a retomada de linhas complementares e o aumento do policiamento preventivo, para evitar que as cenas de confusão e superlotação se tornem rotina durante toda a temporada de verão.
O Maricá Info segue acompanhando o caso e buscando posicionamento da Prefeitura, da EPT e das forças de segurança sobre possíveis medidas para enfrentar o problema.

