Quem visita Nova York dificilmente deixa de passar pela Broadway — e eu sou dessas que jamais deixaria. Frequento aquelas calçadas desde os 15 anos, e até hoje não consigo conceber uma viagem à cidade sem entrar em ao menos um teatro. Musicais ou peças, tanto faz: ali, sob aquelas marquises, o teatro do mundo inteiro define suas tendências, e dali saem as produções que mais tarde ganham montagens internacionais, versões para o cinema e milhões de fãs.
Por isso, quando chega o Tony Awards — o “Oscar da Broadway” —, os holofotes se voltam para os artistas, criadores e espetáculos que marcaram a temporada. A 79ª edição da premiação foi realizada neste domingo (7), no Radio City Music Hall, com apresentação de P!nk.
Entre os musicais, o principal destaque da noite foi Schmigadoon!, adaptação para os palcos da série homônima da Apple TV+. A produção faz uma homenagem bem-humorada aos clássicos da Era de Ouro da Broadway e acompanha um casal que acaba preso em uma cidade onde todos vivem como se estivessem dentro de um musical dos anos 1940 e 1950. O espetáculo venceu quatro categorias, incluindo a principal da noite, a de Melhor Musical.

A temporada foi uma das mais disputadas dos últimos anos. Schmigadoon! e The Lost Boys lideraram as indicações, com 12 nomeações cada, enquanto o revival de Ragtime apareceu logo atrás, com 11. Entre todas as produções da noite, porém, o revival de Death of a Salesman foi o maior vencedor, com seis estatuetas.
Além dos grandes vencedores, a cerimônia registrou um marco histórico. Qween Jean venceu o prêmio de Melhor Figurino de Musical por Cats: The Jellicle Ball, tornando-se a primeira mulher trans assumida a conquistar a categoria no Tony Awards.

Entre os principais vencedores da noite estiveram:
- Melhor Musical — Schmigadoon!
- Melhor Peça — Liberation
- Melhor Atriz em Peça — Lesley Manville (Oedipus)
- Melhor Ator em Peça — John Lithgow (Giant)
- Melhor Figurino de Musical — Qween Jean (Cats: The Jellicle Ball)
- Melhor Atriz em Musical — Audra McDonald (Gypsy)
Confira a lista completa de vencedores no site oficial do Tony Awards.
Musicais que ficaram na memória
Acompanho tudo isso como quem torce — e minha emoção mais recente tinha endereço próprio. Nesta viagem assisti a Buena Vista Social Club, o musical que traz a Havana dos anos 1990 para o palco. Ele não disputou a edição deste ano: foi um dos grandes nomes da temporada passada, quando levou cinco prêmios Tony em 2025, entre eles Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Coreografia, Melhor Orquestração e Melhor Desenho de Som, além de uma homenagem especial à banda que ocupa o centro do palco. Foram dez indicações no total: uma celebração da cultura cubana como poucas vezes se viu na Broadway.

Daquela mesma temporada de 2025 também carrego a lembrança de Maybe Happy Ending, que me emocionou do início ao fim — uma história delicada sobre dois robôs e o que significa amar com prazo de validade. Foi o grande vencedor do ano, com seis estatuetas, incluindo Melhor Musical, Melhor Ator para Darren Criss, Melhor Livro, Melhor Trilha Original, Melhor Direção e Melhor Cenografia.
Continuo somando espetáculos a cada viagem e pretendo riscar muitos outros títulos dessa lista. Meu próximo objetivo, porém, não está no palco, mas na plateia de gala: assistir ao Tony Awards ao vivo, no Radio City, é o sonho que sigo perseguindo a cada temporada.
Renata Araújo é jornalista, editora do site You Must Go! e da página no Instagram @youmustgoblog.

