O cineasta, roteirista e empresário carioca Raphael Aguinaga, que esteve por dez anos à frente do cultuado Cine Joia, em Copacabana, acaba de lançar seu primeiro livro, o ótimo “Crime na Casa Geyer”, pela Amazon. Nessa sua estreia, ele reconstrói em detalhes um caso real, pouco divulgado e até preterido pela mídia, sobre o maior roubo de patrimônio cultural no país, jamais documentado. Trata-se do sumiço de diversas obras doadas em 1999 por seu avô, Paulo Fontainha Geyer (1921-2004), industrial atuante na área financeira e na implantação da petroquímica no Brasil (foi dono do conglomerado Unipar). Em 1989, em Nova York, Geyer chegou a receber o título de “Homem do Ano”, por indicação da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Junto com a esposa, Maria Cecília Geyer, ele formou, ao longo de 50 anos, uma das mais importantes coleções de arte do país, com destaque para a iconografia brasileira do século XIX.
Segundo Raphael Aguinaga, seu avô doou ao povo brasileiro a maior coleção privada de arte e antiguidades já entregue voluntariamente a um museu público no país: 4.255 itens, entre os quais se incluem obras de Rugendas, Debret, Taunay e Ender, avaliados, no total, em cerca de R$ 500 milhões. O que veio depois nunca foi contado publicamente. Testemunha direta dos fatos, o autor de “Crime na Casa Geyer” revela, pela primeira vez, o que se sabe sobre o desaparecimento de 124 obras do acervo do Museu Imperial de Petrópolis, a batalha judicial que se seguiu e o silêncio das instituições que deveriam proteger o patrimônio público. Narra também pormenores da Operação Antiquários, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro de 2017 e que cumpriu mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia, conseguindo recuperar 21 peças.
Para sustentar a denúncia, Aguinaga reuniu documentos inéditos, inquéritos federais, laudos periciais e depoimentos oficiais, trazendo à tona uma vasta pesquisa. Com referências a letras de rock dos anos 1980, epígrafes de grandes pensadores abrindo os capítulos e até passagens de humor, a narrativa oferece uma leitura prazerosa, repleta de suspense, mesmo sendo um relato de não ficção. Relato que desnuda um imbróglio que encobre um crime que o Brasil parece querer esquecer, apesar de sua relevância. Referindo-se ao livro, Aguinaga explica que seu “objetivo foi ilustrar o colapso de todo o ecossistema de salvaguardas da nossa sociedade” por meio de um texto que possa se tornar “uma ferramenta de reflexão indispensável”.
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Agora o cineasta, autor do filme Juan e a bailarina (2011), mantém negociações avançadas para a transformação de “Crime na Casa Geyer” em série que irá ao ar no streaming. Com uma escrita fluente que estimula a imaginação e a curiosidade do leitor, o livro é uma excelente dica para quem curte um mistério ao estilo Agatha Christie ou de Árthur Conan Doyle.
Serviço:
“Crime na Casa Geyer”, de Raphael Aguinaga. Edição independente, 174 páginas.
À venda na Amazon: https://www.amazon.com.br/dp/B0H7256XDW

