Por trás da promessa de terrenos regularizados em uma área verde de Campo Grande, o Ministério Público afirma ter identificado uma organização criminosa que combinava grilagem, corrupção policial, uso de laranjas por milicianos para vender loteamentos ilegais no entorno do Parque Estadual da Pedra Branca. A estrutura foi alvo, nesta quinta-feira, de uma operação que resultou na prisão de três policiais civis e em mandados de busca contra outros investigados.
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A investigação descreve que a organização criminosa que teria operado desde 2016. Para os promotores, o grupo não se limitava à prática de crimes ambientais ou estelionatos. O esquema tinha uma estrutura empresarial, com divisão de tarefas, responsáveis financeiros, intermediadores para as vendas, operadores de máquinas, parentes usados como laranjas e agentes públicos encarregados de passar informações estratégicas.
Milton de Souza Junior, o Miltinho, foi denunciado pelo MPRJ
Reprodução
No centro dessa estrutura, segundo a denúncia, aparece Milton de Souza Junior, conhecido como Miltinho. Segundo a denúncia, ele se apresentava como proprietário de uma extensa área localizada na região do Rio da Prata, em Campo Grande, onde passou a desenvolver um empreendimento batizado de Viva Verde, também chamado de Vila Verde Residencial.
O Ministério Público afirma, porém, que Milton não figurava como proprietário formal do terreno nos registros imobiliários. Ainda assim, teria conduzido a venda de centenas de lotes por meio de contratos particulares, empresas de fachada e intermediários que atuavam como corretores de imóveis. Milton, segundo g1, foi preso hoje, assim como os policiais civis Marcos Eduardo Maia, Marcello Carvalho de Menezes e Leonardo da Silva Machado também por suspeita de envolvimento nessa organização. Os três, assim como o policial militar Wendel Vale de Oliveira e outras 11 pessoas foram denunciados. Entre os alvos dos mandados de busca também está um delegado da Polícia Civil.
A quadrilha fazia ofertas sedutoras para os compradores: terrenos em uma área arborizada, cercada pela natureza e destinada à construção da casa própria. O problema, segundo a investigação, é que os lotes estavam inseridos na zona de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca, onde qualquer ocupação depende de rígido controle ambiental e urbanístico.
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Embora a denúncia identifique, até o momento, prejuízo superior a R$ 846 mil às vítimas já localizadas, os promotores afirmam que a dimensão financeira era muito maior. Segundo cálculos do Ministério Público, caso todos os lotes fossem comercializados, o lucro da organização poderia chegar a R$ 27 milhões. Para os investigadores, o valor ajuda a explicar a sofisticação da estrutura montada para manter o negócio funcionando mesmo após embargos ambientais, demolições promovidas pela prefeitura e sucessivas investigações.
De acordo com os promotores, os loteamentos continuaram avançando mesmo após notificações ambientais, embargos administrativos, fiscalizações do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), ações do Ministério Público e operações da prefeitura. Em setembro de 2021, a Prefeitura do Rio realizou uma grande ação de demolição no local. Máquinas derrubaram construções erguidas irregularmente na área, numa operação amplamente divulgada à época. Ainda assim, segundo a investigação, o grupo continuou atuando.
Segundo o Ministério Público, o grupo investigado mantinha ligação com a milícia liderada por Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, que está preso atualmente. A venda de terrenos e loteamentos ilegais aparece descrita pelos promotores como uma das atividades exploradas dentro da área de influência do grupo paramilitar.
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Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/06/11/mesmo-apos-demolicoes-esquema-ligado-a-milicia-continuou-vendendo-terrenos-na-pedra-branca.ghtml
Mesmo após demolições, esquema ligado à milícia continuou vendendo terrenos na Pedra Branca

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