O britânico Matthew Ashley Foster-Smith, preso no Equador sob suspeita de matar a modelo colombiana Natalia Villalba Angarita, carrega um histórico de condenações por perseguição e violência contra mulheres no Reino Unido. Além de investigar o feminicídio da colombiana, as autoridades apuram o passado criminal do suspeito, incluindo o material encontrado em sua casa durante uma investigação anterior, que levou à sua exclusão do registro oficial de médicos britânicos.
- Austrália: Menina de 10 anos sofre queimaduras no rosto ao tentar fazer desafio das redes; médicos alertam
- Canibal de Budapeste: Funcionário de hospital é preso na Hungria suspeito de roubar partes de corpos humanos e consumi-las
Durante uma investigação no Reino Unido, autoridades cumpriram um mandado de busca no apartamento de Foster-Smith, em Poole, cidade onde ele mantinha uma empresa de investimentos. No imóvel, foram apreendidos diversos telefones celulares, cartões de memória, pen drives e outros dispositivos de armazenamento.
Segundo a perícia, os equipamentos continham imagens íntimas de uma ex-companheira usadas para persegui-la, intimidá-la e ameaçá-la, além de material pornográfico publicado em redes sociais e conteúdo sexualmente explícito compartilhado com outro homem. A descoberta desse material levou à exclusão de Foster-Smith do registro oficial de médicos após sua condenação.
Foster-Smith foi preso no aeroporto de Quito, nesta sexta-feira, quando tentava embarcar para a Europa. A operação foi realizada por autoridades equatorianas em cooperação com a Promotoria da Colômbia. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal El Tiempo, ele teria sido localizado após realizar ligações telefônicas enquanto estava no Equador.
— Ele estava tentando comprar uma passagem para a Europa e, ao que tudo indica, foi localizado por meio das ligações telefônicas que fez de lá — afirmou a fonte ao jornal colombiano.
Ao ser relacionado ao caso, o britânico negou envolvimento na morte de Natalia Villalba e afirmou que estava em um bar acompanhando uma partida de futebol.
— Não fui eu. Estava assistindo ao jogo entre Inglaterra e Croácia.
Histórico de condenações
Médico de formação, Foster-Smith foi condenado em 2020 pelo Tribunal da Coroa de Bournemouth a um ano e seis meses de prisão por crimes relacionados ao assédio de uma ex-parceira. Depois de deixar a prisão, voltou a perseguir outra ex-companheira entre maio e setembro de 2023, o que levou as autoridades britânicas a emitirem uma ordem para localizá-lo em todo o país.
A investigação ganhou novo impulso após um amigo do suspeito entregar à polícia mensagens e fotografias enviadas por Foster-Smith. Segundo Nick Robinson, o britânico costumava compartilhar planos violentos envolvendo mulheres e, após o fim de um relacionamento, afirmou que pretendia conseguir um machado para atacá-las.
Entre as mensagens recuperadas pelos investigadores estava a frase: “Se eu vou acabar apanhando, que valha a pena. Aproveite ao máximo, porque vou dar uma surra nela”.
O amigo também afirmou que Foster-Smith apresentava transtorno do espectro autista e comportamento emocionalmente imaturo, quadro que, segundo ele, teria se agravado após a morte dos pais. A defesa utilizou esse argumento para tentar obter sua liberdade, mas o pedido foi rejeitado.
Em outubro de 2025, Foster-Smith foi novamente condenado, desta vez a dois anos e dois meses de prisão. Após cumprir a pena, passou a viver em uma residência monitorada em Londres, sob medidas que incluíam manter distância das vítimas, informar periodicamente seu endereço e os dados do veículo à polícia e não utilizar equipamentos eletrônicos para troca de mensagens. Posteriormente, conseguiu deixar o Reino Unido e viajar para a Colômbia, já que não havia, naquele momento, um mandado de prisão internacional contra ele.
Investigação sobre a morte de Natalia Villalba
Segundo a Promotoria colombiana, há indícios de que Foster-Smith agrediu Natalia Villalba até provocar sua morte e, em seguida, manipulou o corpo para ocultar vestígios do crime. Ele deverá responder por feminicídio qualificado, cuja pena na Colômbia varia entre 40 e 50 anos de prisão.
Os investigadores também analisam o celular e o computador da vítima, o celular e a bagagem apreendidos com Foster-Smith, seus contatos com outras mulheres, imagens de câmeras de segurança e o suposto álibi apresentado pelo britânico de que assistia ao jogo entre Inglaterra e Croácia em um bar de Bogotá. O objetivo é confrontar horários, imagens e depoimentos para reconstruir a cronologia do crime e verificar se o suspeito planejou uma versão para afastar sua responsabilidade.

