Barbárie diante das câmeras: capivara é espancada até a morte – até quando?

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A prisão de um homem por espancar e matar uma capivara em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, voltou a escancarar uma realidade incômoda: a violência contra animais segue recorrente no país, apesar de mudanças recentes na legislação que prometiam endurecer punições.

Romero Ferreira Barbosa foi capturado na madrugada desta segunda-feira (27), no bairro Campos Elíseos, após ser identificado por imagens que circularam nas redes sociais. O vídeo, gravado por testemunhas, mostra o agressor desferindo chutes violentos contra a cabeça do animal até a morte — uma cena que provocou indignação e reacendeu o debate sobre a eficácia das leis ambientais no Brasil.

Durante a ação, agentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro encontraram ainda um cativeiro clandestino na residência do suspeito, com diversas aves silvestres mantidas em condições irregulares e sem identificação. Os animais foram resgatados, e o acusado foi encaminhado à 60ª DP, onde responderá por crime ambiental.

Divulgação – Pcerj

Leis mais duras no papel, mas pouco efeito na prática

O caso ocorre em um contexto de endurecimento recente da legislação. O decreto nº 12.877/2026 ampliou penalidades administrativas e multas para maus-tratos, com atuação reforçada de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Ainda assim, especialistas e entidades de proteção animal apontam que a aplicação das penas continua sendo limitada — muitas vezes resultando em sanções brandas, acordos ou liberdade provisória.

Na prática, crimes contra animais silvestres frequentemente terminam com punições consideradas leves diante da gravidade dos atos. A legislação brasileira prevê detenção e multa, mas a possibilidade de conversão de pena, somada à dificuldade de fiscalização, contribui para a sensação de impunidade.

Casos recentes mostram padrão de violência

O episódio em Duque de Caxias não é isolado. Há pouco mais de um mês, outro caso brutal envolvendo uma capivara chocou moradores da Ilha do Governador. Na ocasião, seis homens agrediram o animal, que sofreu traumatismo craniano e perdeu parcialmente a visão.

Apesar da prisão dos envolvidos e da aplicação de multas — cerca de R$ 20 mil para cada agressor —, o caso também gerou críticas sobre a efetividade das punições como fator de dissuasão. A capivara sobreviveu após tratamento no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, na Zona Oeste do Rio.

Sensação de impunidade alimenta novos crimes

Organizações ambientais alertam que a repetição de casos violentos indica falhas estruturais: fiscalização insuficiente, baixa capacidade investigativa em crimes ambientais e um sistema judicial que raramente impõe penas exemplares.

Enquanto isso, episódios de extrema crueldade continuam a surgir, muitas vezes registrados e disseminados nas redes sociais — um indicativo de que, para parte dos agressores, o risco de punição ainda não é um fator dissuasório real.

A prisão em Duque de Caxias, embora importante, reforça um diagnóstico preocupante: sem aplicação rigorosa das leis e punições efetivas, a violência contra animais segue avançando — e, cada vez mais, à luz do dia.





Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/cidades/27/04/2026/barbarie-diante-das-cameras-capivara-e-espancada-ate-a-morte-ate-quando

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