Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontou que integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) teriam transformado o controle territorial do Complexo do São Carlos, na região central do Rio, em uma sofisticada estrutura de geração de riqueza baseada em extorsões, expulsão de moradores e lavagem de dinheiro. A descoberta levou à deflagração de uma operação interestadual nesta sexta-feira (12/6), que mira o núcleo financeiro da facção.
A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 60 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens atribuídos aos investigados.
Segundo a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a organização criminosa operava muito além do tráfico de drogas. As investigações apontam que comerciantes e moradores eram submetidos a ameaças constantes por homens armados ligados à facção.
De acordo com os policiais, algumas vítimas eram pressionadas a abandonar suas próprias casas. Depois disso, os imóveis passavam para pessoas vinculadas ao grupo criminoso e eram incorporados ao patrimônio da organização.
A apuração indica que o esquema ajudava a ampliar a influência territorial da facção e a fortalecer sua estrutura financeira.
Os investigadores também identificaram uma rede de empresas de fachada utilizada para movimentar recursos e ocultar a origem do dinheiro. O objetivo seria dar aparência legal ao patrimônio acumulado pelos integrantes do grupo.
Outro braço da investigação revelou a existência de uma estrutura voltada ao comércio clandestino de armas de fogo. Segundo a polícia, integrantes da organização participavam da negociação, compra e intermediação de armamentos destinados a abastecer comunidades dominadas pelo TCP.
As apurações apontam ainda que o esquema possuía divisão clara de funções, envolvendo operadores financeiros, gestores patrimoniais, responsáveis pela logística e lideranças encarregadas da coordenação das atividades criminosas.
Mandados de busca e apreensão são cumpridos no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. A ação conta com apoio da Core e de unidades especializadas das polícias civis dos três estados.

