Uma reportagem publicada pela revista Veja analisou declarações do ex-prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Governo do Estado, Eduardo Paes (PSD), sobre os resultados da educação municipal durante sua gestão. Em entrevista ao podcast Papo de Elite, no fim de maio, Paes afirmou que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da capital fluminense foi o que mais avançou entre as capitais brasileiras.
Segundo a publicação, os dados do Ideb de 2023 mostram que o Rio registrou crescimento de 0,6 ponto em relação a 2021, mas não foi a única capital a apresentar essa evolução. Goiânia e São Luís tiveram o mesmo avanço, enquanto Manaus e Rio Branco registraram crescimento de 0,7 ponto no período.
A reportagem destaca ainda que a comparação com 2021 pode distorcer a análise dos resultados, já que aquele foi um período marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19 sobre o sistema educacional. Quando comparado ao cenário pré-pandemia, o avanço é menor. O Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental passou de 5,8 em 2019 para 6,0 em 2023.
De acordo com a Veja, o crescimento do índice foi impulsionado principalmente pelo aumento das taxas de aprovação dos estudantes. O Ideb é calculado a partir da combinação entre o desempenho dos alunos em avaliações de português e matemática e os índices de aprovação escolar.
A publicação cita que, entre 2019 e 2023, o indicador de aprendizagem dos anos iniciais da rede municipal passou de 6,02 para 6,05, enquanto a taxa de aprovação subiu de 95,5% para 98,5%. Com base nesses dados, a reportagem sustenta que a maior parte da evolução do Ideb estaria relacionada ao aumento das aprovações, e não necessariamente a ganhos equivalentes nos níveis de aprendizagem.
O mesmo fenômeno, segundo a revista, teria ocorrido nos anos finais do ensino fundamental. Embora o Ideb tenha avançado de 5,0 para 5,2 entre 2019 e 2023, os indicadores de aprendizagem apresentaram crescimento mais discreto, enquanto as taxas de aprovação tiveram aumento significativo.
A reportagem também menciona desafios ainda enfrentados pela rede municipal. Entre eles, dados do Indicador Criança Alfabetizada (ICA), do Ministério da Educação, que apontaram que 36% dos alunos do 2º ano do ensino fundamental da capital não estavam alfabetizados em 2023.
Prefeitura contesta
Em nota enviada à Veja, a Secretaria Municipal de Educação contestou as conclusões da reportagem e afirmou que os resultados são consequência de investimentos realizados na rede municipal.
Segundo a pasta, o Rio apresentou o maior crescimento entre as capitais brasileiras na nota padronizada do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) entre 2021 e 2023, indicador que serve de base para o cálculo do Ideb.
A secretaria também informou que o percentual de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental passou de 56% para 68% entre 2023 e 2025, superando metas estabelecidas pelo Ministério da Educação.
Entre as ações apontadas pela prefeitura como responsáveis pelos resultados estão a implementação de avaliações periódicas, a criação de material didático próprio, programas de recuperação da aprendizagem e mecanismos de incentivo ao cumprimento de metas educacionais nas escolas da rede municipal.


