O Estado do Rio de Janeiro registrou uma melhora discreta na elucidação de homicídios, mas a maioria dos casos ainda permanece sem resposta.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, entre as ocorrências registradas no primeiro semestre de 2024 e analisadas após dois anos de investigação, apenas 29,3% dos casos de letalidade violenta foram classificados como elucidados. Na prática, cerca de sete em cada dez registros (70,7%) continuavam sem solução reconhecida.
Nos homicídios, o cenário é ainda mais preocupante: apenas 24,8% dos casos foram considerados elucidados, o que significa que aproximadamente três em cada quatro assassinatos (75,2%) permaneciam sem esclarecimento ao fim do período analisado.
Aumento dos casos solucionados em relação ao ano anterior
Apesar do índice ainda baixo, houve avanço em relação ao primeiro semestre de 2023, quando a taxa de elucidação dos homicídios era de 19,9% — o crescimento foi de 4,9%.
Considerando toda a categoria de letalidade violenta, que reúne homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção de agentes do Estado, o percentual passou de 25,3% para 29,3%.
Dados levam em consideração casos de dois anos antes
Pela metodologia adotada pelo ISP, os registros são avaliados dois anos após a ocorrência para verificar se receberam a classificação oficial de “elucidados”. O indicador leva em conta registros de ocorrência, e não o número de vítimas, o que significa que um único registro pode envolver mais de uma morte.
A classificação também não indica, necessariamente, que os demais casos tenham sido encerrados sem solução. Eles podem permanecer em investigação. No entanto, a base pública não informa quantos inquéritos seguem em andamento nem quantos foram concluídos sem identificação dos responsáveis.
Os dados mostram ainda diferenças significativas entre os tipos de ocorrência. Enquanto a taxa de elucidação dos homicídios ficou em 24,8%, as mortes decorrentes de intervenção de agentes do Estado alcançaram 49,3%, praticamente o dobro.
O ISP não detalha as razões da diferença, mas esse tipo de ocorrência costuma envolver agentes, armamentos e circunstâncias previamente identificados, o que pode facilitar a apuração.
Rio mantém padrão abaixo do nível internacional de casos elucidados
Na comparação internacional, o desempenho do Rio também permanece abaixo de referências disponíveis. O Estudo Global sobre Homicídios de 2013, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), estimava que cerca de metade dos homicídios era esclarecida nas Américas, diante de uma média mundial superior a 60%.
Embora os critérios utilizados pela ONU e pelo ISP sejam diferentes, a taxa de 24,8% registrada nos homicídios no estado corresponde a menos da metade da referência estimada para o continente.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/homicidios-seguem-sem-solucao-no-rio/

