Polícia encerra investigação sobre desaparecimento de criança na Grécia após 35 anos; caso segue sem respostas

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Ben Needham — Foto: Redes sociais


A polícia de South Yorkshire, no Reino Unido, informou à mãe de Ben Needham que não será mais responsável pela investigação sobre o desaparecimento do menino britânico, que sumiu com um ano de idade em julho de 1991, na ilha grega de Kos. A decisão foi comunicada a Kerry Needham, hoje com 51 anos, durante uma videochamada, realizada neste mês de maio, com a oficial de ligação familiar e encerra formalmente a atuação britânica em um dos casos de desaparecimento mais antigos envolvendo cidadãos do país.

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Segundo o jornal Mirror, agentes da unidade de crimes graves afirmaram que futuras apurações caberão exclusivamente à polícia grega, alegando falta de tempo e recursos. Abalada, Kerry lamentou a decisão e disse temer o fim das buscas.

— Esta é uma notícia devastadora. O caso agora ficará exclusivamente nas mãos das autoridades gregas. Se isso acontecer, acho que posso desistir da busca por Ben, porque a polícia grega só quis que esse caso fosse esquecido — afirmou.

Ben desapareceu em 24 de julho de 1991 enquanto brincava perto de uma casa de campo na região de Iraklis, em Kos, onde os avós reformavam a propriedade. Naquele verão, Kerry havia se mudado para a ilha com o filho para recomeçar a vida ao lado dos pais. Enquanto ela trabalhava em um hotel, o menino ficou sob os cuidados dos avós. Por volta das 14h30, a família percebeu que ele havia sumido sem deixar rastros. Inicialmente, pensaram que ele estivesse com o tio adolescente, mas logo constataram que não era o caso e acionaram a polícia local.

Dois dias depois, testemunhas disseram ter visto uma criança com características semelhantes às de Ben no aeroporto local, mas a pista nunca foi confirmada. A família voltou para a Inglaterra em setembro daquele ano, prometendo manter as buscas. Desde então, o caso passou por diversas reviravoltas, incluindo a divulgação de imagens de progressão de idade, recompensas milionárias e novas investigações conduzidas por autoridades britânicas e gregas.

Em 2012, ganhou força a teoria de que Ben teria morrido acidentalmente ao ser atingido por uma escavadeira em um olival próximo à fazenda. O operador da máquina, Konstantinos “Dino” Barkas, teria confessado o acidente antes de morrer, segundo uma fonte anônima. Escavações realizadas em 2016 encontraram objetos que inicialmente reforçaram essa hipótese, mas exames posteriores enfraqueceram a conclusão e nenhum vestígio definitivo da criança foi localizado.

Kerry sempre resistiu à versão do acidente e sustentou a possibilidade de sequestro.

— Se tivesse havido um acidente, teria havido alguma coisa. Eles escavaram tão fundo naquela área que encontraram um antigo cemitério. Então, tenho certeza de que poderiam encontrar um fragmento de uma criança ou uma gota de sangue, qualquer coisa. Mas não encontraram nada — disse anteriormente.

Em nota, a polícia de South Yorkshire afirmou que continuará disponível para apoiar as autoridades gregas caso surjam novas evidências e reiterou o compromisso de prestar suporte à família.

“No entanto, após 35 anos, devemos garantir que todas as rotas apropriadas estejam em funcionamento e continuem adequadas à sua finalidade”, declarou a corporação.

Hoje vivendo em Antalya, na Turquia, Kerry afirma que planos para reinterrogar testemunhas e realizar uma reunião com o Ministério Público grego foram cancelados. Agora, qualquer nova informação será encaminhada à Interpol e às autoridades da Grécia, um cenário que, para ela, representa o risco de o caso de Ben desaparecer de vez.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2026/05/19/policia-encerra-investigacao-sobre-desaparecimento-de-crianca-na-grecia-apos-35-anos-caso-segue-sem-respostas.ghtml

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