MP investiga, Câmara pressiona e ambulantes enfrentam Prefeitura: protesto termina com spray de pimenta no Rio

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Fiscalização 24 horas nas praias ainda nem começou, mas crise já explodiu nas ruas. Camelôs fecharam avenida em frente à Prefeitura e foram dispersados pelo Batalhão de Choque

A guerra entre a Prefeitura do Rio e os ambulantes ganhou um novo e explosivo capítulo nesta quarta-feira (8). Enquanto o Ministério Público investiga denúncias de abuso nas fiscalizações e a Câmara Municipal cobra mudanças nas operações da Seop, comerciantes fecharam uma faixa da Avenida Presidente Vargas, em frente à sede da Prefeitura, para protestar contra a nova fiscalização 24 horas nas praias da Zona Sul.

A manifestação reuniu integrantes do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal (Sindinformal) e do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA), que pedem diálogo antes do início da operação. O protesto, porém, terminou em confronto: o Batalhão de Choque da Polícia Militar utilizou spray de pimenta para dispersar os manifestantes após o bloqueio da via.

O vereador Leonel de Esquerda (PT), presidente da Comissão Especial do Trabalho Informal da Câmara do Rio, participou do ato e voltou a defender a categoria.

“São pais e mães de família tentando garantir o sustento. Já apresentamos propostas para regularizar os ambulantes. O que falta é diálogo com a Prefeitura.”

MP abriu investigação sobre atuação da Prefeitura

O protesto acontece em meio a uma crescente pressão sobre a gestão municipal.

Em recente audiência pública realizada na Câmara do Rio, ambulantes denunciaram agressões, apreensões de mercadorias, tiros de borracha e perseguição durante operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop).

Diante das denúncias, o Ministério Público instaurou um inquérito civil para investigar a atuação da Prefeitura na orla. O procurador Júlio Araújo afirmou que existem indícios de uma política marcada por práticas consideradas “higienistas e elitistas” no tratamento dado aos trabalhadores informais.

O vereador Poubel (PL) apresentou projeto para obrigar agentes da Seop a utilizarem câmeras corporais e priorizarem a mediação antes das apreensões.

O que diz a prefeitura

Em nota, a prefeitura informou que segue com a implantação do programa contra exploração ilegal do espaço público na orla das praias. Leia na íntegra:

“A Prefeitura do Rio segue com a implantação do programa Tolerância Zero contra exploração ilegal do espaço público na orla do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon. Vale lembrar que essa ação também é respaldada pela Lei nº 1272/1988 que declara área de proteção ambiental nas orlas de Ipanema, Leblon e Copacabana, e proíbe qualquer tipo de construção de caráter permanente, provisório ou desmontável para o exercício de atividades comerciais, incluindo comércio ambulante.

O exercício de atividades econômicas nessas áreas é realizado por legislações próprias, como estabelecem a Lei nº 1876/1992, que autoriza os barraqueiros de praia e ambulantes tiracolos a praticarem atividades nas faixas de areia, além da realização da Feira Noturna Turística de Copacabana (Lei 3.613/2003) e da Feirarte da Praça do Lido (Lei 1.533/1990).”



Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/cidades/08/07/2026/mp-investiga-camara-pressiona-e-ambulantes-enfrentam-prefeitura-protesto-termina-com-spray-de-pimenta-no-rio

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