Criados como um dos principais legados dos Jogos Olímpicos Rio 2016, os Ginásios Educacionais Olímpicos (GEOs) vêm se consolidando como protagonistas do Intercolegial O GLOBO/Sesc. Mesmo atendendo apenas alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, as escolas municipais figuram entre as principais forças da competição ao lado de tradicionais instituições públicas e particulares.
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Os resultados ajudam a dimensionar a força do projeto. Na classificação parcial desta temporada, quatro dos 15 primeiros colocados do Intercolegial são GEOs: Martin Luther King (5º), Doutor Sócrates (7º), Félix Miéle Venerando (9º) e Nelson Prudêncio (13º). Em 2025, o destaque foi ainda maior. O GEO Doutor Sócrates terminou na terceira colocação geral, atrás apenas de Santa Mônica e Instituto Loide Martha, e liderou as escolas públicas. Entre as 15 melhores colocadas do estado, nove eram instituições públicas: os oito Ginásios Educacionais Olímpicos e o Colégio Pedro II, reforçando o protagonismo da rede municipal no Intercolegial mesmo sem equipes de ensino médio.
Implantado pela prefeitura do Rio a partir de 2012 e ampliado após a Olimpíada de 2016, o projeto reúne atualmente oito unidades que oferecem ensino em tempo integral aliado ao esporte. Além das disciplinas regulares, os estudantes treinam modalidades olímpicas com professores especializados e representam as escolas em competições como o Intercolegial.
O modelo é o mesmo em todas as unidades dos Ginásios Educacionais Olímpicos. Desde o primeiro dia de aula, os estudantes do 6º ano passam por um período de experimentação em todas as modalidades oferecidas pela escola. Depois, reduzem as opções e, gradualmente, escolhem os esportes nos quais vão se especializar até o 9º ano, quando passam a representar os GEOs nas competições. Além do desempenho esportivo, os alunos precisam manter boas notas e disciplina para integrar as equipes, reforçando a proposta de formar não apenas atletas, mas também cidadãos.
O GEO Nelson Prudêncio, na Ilha do Governador, oferece atletismo, basquete, futsal, handebol, natação, tênis de mesa, vôlei e xadrez.
— O aluno passa o dia inteiro na escola. A gente trabalha o conceito de aluno-atleta-cidadão. Se não tiver boas notas, não compete. É um projeto que dá muito certo e já levou alunos aos Jogos Escolares Brasileiros. Quando vemos um estudante conseguir uma bolsa por meio do esporte, sabemos que estamos cumprindo nossa missão — resume o coordenador esportivo Marcelo Pires.
No GEO Doutor Sócrates, em Pedra de Guaratiba, a receita é semelhante. Inaugurada em 2012, a unidade oferece modalidades como atletismo, basquete, badminton, judô, natação, tênis de mesa, vôlei, vôlei de praia, futsal e xadrez.
Para o coordenador esportivo Rodrigo Vallois, o diferencial está no equilíbrio entre educação e treinamento:
— Não existe uma modalidade em que sejamos fortes. Existe trabalho coletivo. Estamos brigando pelo quinto ano consecutivo para sermos a melhor escola pública do Intercolegial, mesmo competindo com escolas que têm ensino médio e mais categorias. Isso mostra que esporte e educação caminham juntos.
Este ano, o GEO Doutor Sócrates conquistou um título inédito no futsal feminino do Intercolegial após anos batendo na trave. A decisão reuniu ex-alunas na arquibancada para torcer pelas novas gerações. Uma delas era Nathaly Fernanda Francisco Hipólito, que conquistou bons resultados com o time em anos anteriores e hoje cursa o ensino médio, mas fez questão de acompanhar a conquista da antiga escola:
— Foram os melhores quatro anos da minha vida. O GEO me ensinou a vencer, perder e continuar lutando. É uma pena que não exista uma escola pública com esse modelo no ensino médio, porque faria diferença para muitos jovens.
A falta dessa continuidade é um dos principais desafios apontados pelos coordenadores. Ao concluir o 9º ano, muitos alunos deixam os GEOs e seguem para escolas particulares com bolsas esportivas, como Santa Mônica e Elite, ou interrompem a trajetória competitiva.
— Seria muito importante que esse modelo chegasse ao ensino médio. Hoje muitos atletas precisam mudar de escola para continuar conciliando esporte e estudos — afirma Vallois.

