Autoridades do México confirmaram o assassinato da jornalista Roxana Guzmán Ramírez, sequestrada por um grupo armado em 2 de junho no sul do estado de Veracruz. Após investigações e operações de buscas, os restos mortais dela foram encontrados em uma fazenda. Oito pessoas foram presas.
Roxana era repórter e proprietária do portal de notícias Pulso Informativo Nanchiteco no país, onde são feitas cobertura de temas de interesse local na região. O veículo publica informações sobre segurança pública, meio ambiente, cultura, esportes, denúncias da população e casos de pessoas desaparecidas.
“Os laudos periciais concluíram o processo de identificação e confirmaram cientificamente que os restos localizados durante as diligências correspondem à jornalista, fato que fortalece a investigação e as ações adotadas para esclarecer esses acontecimentos”, informou a Procuradoria-Geral de Justiça do Estado.
A Justiça expediu mandados de prisão contra oito pessoas, todas suspeitas de envolvimento no crime, que foram cumpridos. Segundo as investigações, Javier Iván, conhecido como “Delta 1”; José del Carmen, o “Delta 7”; e Luis Arturo “N”, conhecido como “Delta 11” ou “El Pelón”, são apontados como responsáveis pelo sequestro da jornalista e, posteriormente, em conjunto com Karen Monserrat, apelidada de “La Hiena”, por seu assassinato.
Também foram presos Julio César, Luis Enrique, Juan Carlos e Ismael, que, na época dos fatos, atuavam como policiais municipais de Ixhuatlán del Sureste. Segundo a investigação, eles teriam fornecido recursos, alimentos e apoio logístico às operações do grupo criminoso.
Desde o sequestro de Roxana, o caso mobilizou entidades de defesa da liberdade de expressão, que exigem uma resposta rápida das forças de segurança e o esclarecimento do desaparecimento. A jornalista foi levada por homens armados que invadiram sua residência no município de Nanchital, em 2 de junho. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que os criminosos entram no imóvel antes de retirá-la à força.
De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras, Roxana já havia solicitado proteção à Comissão Estadual de Atenção e Proteção aos Jornalistas de Veracruz após denunciar suposto assédio por parte de um funcionário público da região.
Seu assassinato é o terceiro na região Veracruz apenas neste ano. Em janeiro, o repórter policial Carlos Castro foi morto a tiros no município de Poza Rica. Também no mês passado, no dia 11, o repórter policial Luis Ángel López também foi assassinado na mesma cidade.
Roxana também enfrentou episódios de violência anteriormente. Em 2017, seu companheiro, Carlos Fernández Escalante, foi assassinado. Após o crime, ela deixou Veracruz por alguns anos, retornando posteriormente a Nanchital.

