Polêmica da ‘camisa diabólica’ da seleção brasileira vai parar nos camelôs do Rio

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A polêmica da camisa da seleção brasileira com “desenho satânico” e “imagem de bruxaria” ultrapassou o limite das redes sociais e chegou ao comércio popular do Rio. Tudo começou quando grupos que se dizem cristãos apontaram uma imagem que seria “diabólica” no uniforme número 2 lançado pela Confederação Brasileira de Futebol. Uma figura em preto chama a atenção na parte da frente da camisa azul. O debate ganhou corpo e foi parar também nos camelôs, que são redes sociais desde antes de a internet existir. E ganharam destaque as camisas, amarelas, com imagem do Cristo Redentor.

A ‘Amarelinha’ acaba beneficiada pelo debate

O vendedor Sérgio Ricardo, de 42 anos, conta que se deparou com uma cliente cristã reclamando da estampa “satânica” da camisa azul. Ela mudou de ideia na hora de comprar e levou somente camisas amarelas. As comuns. Mas Sérgio também tem para vender as com a imagens do Cristo, que saem a R$ 85 cada.

“A moça reclamou, disse que tinha coisa do diabo e não quis levar. Eu já tinha ouvido esse boato, mas não prejudica o negócio, porque quem não opta pela azul, acaba levando a amarela mesmo”, diz.

De olho no lance, cristãos apostam em camisa com Jesus para torcer pela seleção brasileira

Sérgio relata que o interesse pelas camisas com o Cristo vem mesmo dos turistas que aparecem por lá. Ou seja, tem gente que não está nem ai para a polêmica, deve até torcer por Odin, Thor ou Zeus, mas quer mesmo é levar a imagem-símbolo da cidade na amarelinha.

Mas não é assim em todo lugar. Grupos cristãos surfaram na onda e criaram uma camisa azul da seleção quase idêntica, mas com o rosto de Jesus no lugar da imagem original. Um vendedor, que não quis se identificar, contou que não tem dessa para vender, mas sempre que pode oferece a do Cristo Redentor como opção.

“É cada um com seu cada qual. O meu é vender”, diverte-se.

Adailton diz que tem fé na camisa com a imagem do Cristo Redentor. Foto: João Arruda

Vendedor tem fé que novo uniforme ainda vai render

Também na Uruguaiana, o vendedor Adailton Santos Ramos, de 45 anos, afirma que ainda tem fé na camisa com o Cristo.

“A venda ainda não decolou, mas acredito que vai subir”, torce.

Peregrinação de São Cristóvão até a Uruguaiana

Achar as camisa com a imagem do Cristo foi até um pouco mais complicado do que parecia no início. O uniforme foi avistado na estação de trem de São Cristóvão. Tinha, mas acabou. Um pulo até a Saara também mostrou um deserto de possibilidades. Ninguém oferecia o produto. Foi quando o repórter ouviu o vendedor cantando um louvor, o famoso “Uma nova história…”, e parou para se informar. Aí, sim, foi encaminhado à Uruguaiana.

“Com fé no pé”, como diz o narrador, o repórter andou até lá e finalmente localizou as opções de venda. Se ainda não “performa” tanto nas vendas, a polêmica rende no boca a boca.

“Isso é coisa de maluco. O povo vê o que quer nas coisas”, comenta um vendedor.

História que remete aos tempos da Inquisição católica

Quando a história surgiu, pessoas nas redes sociais disseram que a estampa da camisa escondia uma imagem de Baphomet, ligado ao ocultismo e inclusive usado pelo Tribunal do Santo Ofício da Igreja Católica, a temida Inquisição, nas denúncias contra a Ordem dos Cavaleiros Templários, no século 14.

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Imagem do sapo-flecha venenoso virou “coisa do diabo” na visão das pessoas. Foto: divulgação

A Confederação Brasileira de Futebol se pronunciou sobre o caso afirmando que a imagem na camisa azul remete à fauna brasileira, lembrando o sapo-flecha venenoso.

Polêmicas à parte, ambas as camisas continuam vendendo, ao gosto da crença de cada um. E não importa a denominação religiosa, o fato é que quem gosta da seleção torce por um ataque “endiabrado” já na estreia.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/camisa-selecao-brasileira/

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