Niterói — Depois de meses de pressão política, articulação institucional e cobrança pública, a Prefeitura anunciou nesta quinta-feira (23) que vai finalmente reformar o Monumento de Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa. O espaço, fechado e deteriorado há anos, tornou-se símbolo do abandono do patrimônio histórico da cidade.
A decisão vem na esteira da atuação do vereador Allan Lyra (PL), que levou o tema ao centro do debate político municipal e pressionou o Executivo a agir após uma série de iniciativas dentro e fora da Câmara.
O monumento, com mais de um século de história, estava inacessível ao público, apresentando sinais avançados de corrosão e desgaste estrutural — reflexo direto de anos sem manutenção adequada.
Pressão que virou ação
A reviravolta só ocorreu após uma sequência de medidas lideradas por Allan Lyra. O parlamentar articulou o reconhecimento do local como patrimônio cultural e imaterial do município, por meio da Lei nº 4.023/2025, e abriu diálogo com o Colégio Salesiano, responsável pelo espaço, para mapear os problemas estruturais.
Na Câmara, o vereador protocolou indicações formais à Prefeitura cobrando intervenções como recuperação da estrutura, melhorias de acesso, iluminação e revitalização do entorno. O tema, até então fora da agenda pública, ganhou visibilidade e passou a gerar pressão política.
“Esse monumento não podia continuar invisível. Trouxemos o problema à tona e começamos a construir uma solução concreta”, afirmou.
Dinheiro garantido — e cobrança por execução
Outro ponto decisivo foi a aprovação de uma emenda à Lei Orçamentária garantindo recursos para a recuperação completa do espaço. Com orçamento assegurado e o tema politicamente exposto, a Prefeitura ficou sem margem para inação.
Ainda assim, até o anúncio desta quinta, não havia prazo ou sinal claro de execução.
“Sem orçamento, nenhuma obra sai do papel. Agora, além do recurso, existe cobrança. Vamos acompanhar para garantir que a reforma aconteça de fato”, disse o vereador.
Patrimônio negligenciado, resposta tardia
O Monumento de Nossa Senhora Auxiliadora é um marco histórico e afetivo para gerações de niteroienses. Seu fechamento prolongado expôs fragilidades na política de preservação cultural da cidade e levantou questionamentos sobre prioridades da gestão pública.
O anúncio da reforma representa uma resposta — ainda que tardia — à pressão política e social acumulada.
Agora, o desafio passa a ser outro: sair do discurso e garantir que a obra seja executada, devolvendo à população um patrimônio que nunca deveria ter sido deixado de lado.

