Três irmãos conhecidos por atuar no mercado imobiliário de alto padrão foram condenados por um tribunal em Nova York por tráfico sexual e outros crimes relacionados a abuso sexual. Tal Alexander, de 39 anos, Oren Alexander, de 38, e Alon Alexander, também de 38, foram considerados culpados por um júri em todas as 10 acusações criminais apresentadas contra eles.
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Entre as acusações estão tráfico sexual e exploração sexual de menor. Segundo os promotores, os crimes ocorreram ao longo de décadas e envolveram dezenas de mulheres.
Tal e Oren Alexander ficaram conhecidos como corretores de imóveis de luxo, negociando propriedades de alto valor em cidades como Nova York e Miami. O terceiro irmão, Alon Alexander, atuava na empresa de segurança privada da família, a Kent Security.
A sentença ainda não foi aplicada. O tribunal informou que a decisão sobre a pena será anunciada em 6 de agosto. Os três podem enfrentar prisão perpétua, dependendo da avaliação final do juiz.
De acordo com os promotores, os irmãos utilizavam riqueza, status social e acesso a ambientes de luxo para atrair mulheres. As vítimas eram convidadas para festas exclusivas e levadas a mansões e propriedades de alto padrão. Segundo a acusação, nesses locais elas eram drogadas e abusadas sexualmente.
A defesa apresentou uma versão diferente dos fatos. Os advogados afirmaram que as relações foram consensuais e que os irmãos não cometeram estupro. Durante o julgamento, um dos advogados declarou: “Eles não estão drogando nem estuprando essas mulheres, mas certamente estão tentando conquistá-las”.
Nas alegações finais, o procurador assistente Andrew Jones afirmou que os irmãos cometeram os crimes com “frieza” e com “um perverso senso de orgulho”.
Testemunhos de 11 mulheres
Durante o julgamento, 11 mulheres testemunharam contra os acusados. Algumas afirmaram que eram menores de idade na época dos fatos. Segundo os relatos apresentados ao tribunal, elas receberam presentes e viagens e foram convidadas para festas e propriedades de luxo, onde teriam recebido drogas antes de sofrer agressões sexuais.
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Segundo os promotores, os irmãos colocavam drogas discretamente nas bebidas das vítimas e, em alguns casos, utilizavam força física para imobilizá-las. A acusação afirma que as agressões continuavam mesmo quando as vítimas gritavam ou pediam explicitamente para parar.
Entre as provas apresentadas aos jurados estava um vídeo que, segundo a acusação, mostraria Oren Alexander estuprando uma jovem de 17 anos em 2009. De acordo com os promotores, a vítima estava drogada e o episódio teria ocorrido no apartamento de Alexander em Manhattan.
Durante o julgamento também surgiu uma acusação em um processo civil separado. Tracy Tutor, descrita como estrela de reality show e corretora de imóveis, acusou Oren Alexander de drogá-la e agredi-la sexualmente em Nova York em 2024.
Um advogado de Alexander reagiu ao processo afirmando que ele seria “uma ação claramente falsa feita para gerar máximo impacto na mídia”.
Após o veredito, o procurador federal Jay Clayton afirmou que a decisão representa “um passo importante na luta contra o tráfico sexual”.
— Este veredito não pode desfazer os efeitos dos abusos hediondos sofridos pelas muitas vítimas dos Alexanders, mas envia uma mensagem: os nova-iorquinos querem acabar com o tráfico sexual em todas as nossas comunidades — declarou.
A defesa também reagiu ao resultado do julgamento. O advogado Agnifilo afirmou que “não foi o veredito esperado”, mas disse que iria “continuar lutando”.
Antes das acusações criminais, Tal e Oren Alexander tinham carreira consolidada no mercado imobiliário de luxo. Eles trabalharam para a empresa Douglas Elliman, uma das maiores do setor, negociando propriedades de celebridades como Liam Gallagher, Lindsay Lohan, Kim Kardashian e Kanye West.
Em 2022, os dois fundaram sua própria empresa imobiliária em Nova York, chamada Official, consolidando sua presença no segmento de alto padrão antes da investigação criminal que levou ao julgamento.

