Entenda como o procedimento moderno pode melhorar a visão em pouco tempo, com segurança e recuperação rápida, segundo o oftalmologista Rubens Belfort Neto
A catarata é uma condição natural do envelhecimento dos olhos e, se a pessoa viver o suficiente, praticamente todos irão desenvolvê-la em algum momento da vida. Ela ocorre quando a lente natural do olho – chamada cristalino – perde a transparência e passa a ficar opaca, provocando visão embaçada, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz e necessidade frequente de trocar os óculos.
No início, essas mudanças podem ser discretas e até melhorar com ajustes na prescrição de óculos. Com o
passar do tempo, porém, chega um momento em que apenas a cirurgia consegue devolver a visão com qualidade.
Como é feita a cirurgia de catarata hoje
Hoje, a cirurgia de catarata é considerada a mais realizada no mundo e também uma das intervenções com maior taxa de sucesso em toda a medicina. O avanço das técnicas e dos equipamentos nas últimas décadas transformou completamente o procedimento. O que antes exigia grandes incisões e longos períodos de recuperação tornou-se uma cirurgia moderna, rápida e segura, realizada em ambiente ambulatorial e com recuperação visual frequentemente muito rápida.
A técnica mais utilizada consiste em retirar o cristalino opaco e substituí-lo por uma lente artificial transparente, chamada lente intraocular. Para isso, o cirurgião realiza uma pequena abertura na parte transparente do olho, geralmente com poucos milímetros. Por meio dessa incisão, o cristalino envelhecido é fragmentado e removido com auxílio de tecnologia ultrassônica. Em seguida, é implantada a nova lente artificial, que permanece dentro do olho permanentemente.
Muitas pessoas ouvem falar que a cirurgia moderna de catarata utiliza laser. Na prática, a grande maioria dos procedimentos continua sendo realizada com ultrassom, técnica mais consolidada e amplamente estudada. Em alguns casos específicos, determinadas etapas podem utilizar laser, mas os estudos mostram que isso não traz benefícios claros para a maioria dos pacientes.
Anestesia, duração e recuperação
Outro fator importante para o sucesso da cirurgia é a participação da equipe de anestesia. O procedimento normalmente é feito com colírios anestésicos associados a uma sedação leve. Essa sedação não tem o objetivo de “apagar” o paciente, mas sim de deixá-lo relaxado, confortável e sem dor. Quando o paciente está tranquilo e consegue permanecer bem parado durante o procedimento, a cirurgia se torna ainda mais segura.
A cirurgia costuma durar entre meia hora e quarenta minutos e, na maioria das vezes, o paciente vai para casa no mesmo dia. Diferentemente do que acontecia no passado, o olho não precisa ficar tampado. A visão pode sair um pouco embaçada nas primeiras horas, mas muitos pacientes já percebem melhora significativa logo no dia seguinte.
O pós-operatório costuma ser simples e envolve o uso de colírios por algumas semanas para reduzir o risco de infecção e controlar a inflamação. Atividades intelectuais e leitura costumam ser liberadas rapidamente, embora exercícios físicos intensos e piscina devam ser evitados por um curto período.
Antes da cirurgia, o oftalmologista realiza uma série de exames para avaliar toda a saúde do olho, incluindo retina, nervo óptico e pressão ocular. Essa avaliação ajuda a prever o potencial de recuperação visual do paciente, já que outras doenças oculares também podem interferir na qualidade da visão.
Óculos, lentes e qualidade de vida
Um dos grandes avanços da cirurgia moderna de catarata é que, além de remover a lente opaca, ela também
pode corrigir parte do grau do paciente. Com exames específicos realizados antes do procedimento, o médico calcula qual lente intraocular deve ser implantada. Em muitos casos, isso reduz bastante a necessidade de óculos e, em alguns pacientes, pode até eliminar seu uso para determinadas atividades.
Existem diferentes tipos de lentes intraoculares. As mais utilizadas proporcionam excelente visão para longe,
enquanto outras opções podem ampliar a independência dos óculos para leitura ou atividades intermediárias. A escolha depende do estilo de vida do paciente, de suas expectativas e das características do olho.
Recuperar a visão também tem impacto direto na qualidade de vida. A boa visão ajuda a manter a independência, reduz o risco de quedas e permite que a pessoa continue ativa, lendo, dirigindo e participando de atividades sociais. Estudos científicos sugerem ainda que preservar a visão pode ter impacto positivo na manutenção das funções cognitivas ao longo do envelhecimento.
Embora a catarata seja praticamente inevitável com o passar dos anos, a boa notícia é que hoje existe uma solução extremamente eficaz. Quando realizada no momento adequado, por equipe experiente e em ambiente seguro, a cirurgia moderna permite restaurar a transparência do sistema visual e, muitas vezes, oferecer ao paciente uma visão melhor do que aquela que ele tinha antes mesmo do aparecimento da
catarata.
Rubens Belfort Neto – CRM 109.578 | RQE 80.164
Oftalmologista

