Polícia de SP identifica atirador de tenente da Rota baleado na cabeça

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Ronickson Pimentel dos Santos — Foto: Divulgação




A Polícia Civil de São Paulo identificou o atirador do tenente Ronickson Pimentel, da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa de elite da Polícia Militar paulista. Pimentel foi baleado na cabeça na tarde do último sábado (27), em São Caetano do Sul.
O nome do suspeito não foi revelado para não atrapalhar as investigações. Segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, o autor dos disparos tem antecedentes criminais e segue sendo procurado pela polícia.
— Ele tem passagem por roubo, mas não está sendo divulgada a qualificação dele para não atrapalhar as investigações — afirmou o secretário.
Outros suspeitos de participação no atentado estão presos. Em decisão que autorizou a prisão temporária, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) foi categórico ao tratar o caso com uma operação criminosa organizada e complexa, com pelo menos quatro pessoas atuando em funções distintas.
A avaliação consta da decisão que decretou a prisão temporária de Marcos Vinicius Dias Machado, 40, e Carlos Roberto Ferreira, 52, assinada pelo juiz Gabriel D’Andrea, da Vara de Santo André. A decisão foi baseada em imagens de câmeras de monitoramento, boletim de ocorrência do DHPP e depoimento de um policial militar.
Segundo o documento obtido pelo GLOBO, dois homens em uma motocicleta efetuaram os disparos contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, que estava parado em um semáforo. O veículo usado na fuga apresentava sinais de adulteração e tinha registro associado a um crime anterior.
Um terceiro homem, ainda não identificado, dirigia um Renault Logan branco que, segundo as imagens analisadas pela polícia, acompanhou a moto antes e depois do ataque, funcionando como apoio operacional aos atiradores.
O tenente permanece internado na UTI do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, e o estado de saúde é considerado gravíssimo. Ele está estável após passar por uma cirurgia de emergência no sábado, segundo informações do governo de São Paulo.
Veículos em sincronia
O documento reconstitui a movimentação dos carros envolvidos no esquema de apoio ao crime. Os disparos ocorreram por volta das 11h20 de sábado (27). Cerca de uma hora depois, às 12h19, o Renault Logan já circulava ao lado de um Fiat Palio e de um Chevrolet Astra, veículos dirigidos, segundo a polícia, por Machado e Ferreira, respectivamente.
Para o juiz, o intervalo curto entre o crime e o reencontro dos três carros afasta a hipótese de coincidência. “Esse reduzido intervalo temporal, aliado à conduta reiterada de circulação conjunta, afasta de forma robusta qualquer hipótese de encontro fortuito”, escreveu D’Andrea na decisão.
As imagens revelaram ainda que os ocupantes dos veículos se encontraram pessoalmente em um ponto de baixo movimento após o trajeto conjunto, o que reforçou, na avaliação do magistrado, a tese de ação combinada previamente entre os envolvidos.
Ouvido pela polícia, Machado negou qualquer contato com o Renault Logan usado no apoio ao atentado. As imagens de câmeras, no entanto, mostram aproximação e interação entre os ocupantes dos veículos, o que, segundo o juiz, indica tentativa de esconder informações relevantes para a investigação.
A Justiça também citou que um dos atiradores abandonou a motocicleta, o capacete e parte das roupas após o crime, em uma tentativa de não ser identificado. A situação também foi registrada pelas câmeras de segurança da região.
Risco para as investigações
Para justificar a prisão temporária, o juiz apontou risco concreto de que os suspeitos em liberdade pudessem destruir provas ou interferir em depoimentos, principalmente diante da quantidade de pessoas envolvidas no esquema. “A manutenção dos investigados em liberdade representa risco real de destruição ou ocultação de provas, especialmente dados eletrônicos, e interferência na colheita da prova oral”, diz o magistrado.
A decisão autorizou ainda buscas e apreensões nos endereços dos dois suspeitos, além do acesso aos dados de celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos, com a ressalva de que a extração das informações respeite a cadeia de custódia e utilize ferramentas forenses reconhecidas.
Machado e Ferreira foram localizados pela Polícia Militar no domingo (28), em Guaianases, na zona leste da capital, e levados ao DHPP, onde foram ouvidos pela Polícia Civil. A prisão temporária tem validade de 30 dias. A audiência de custódia está prevista para esta segunda-feira (29).
Tenente segue internado
O atentado ocorreu na manhã de sábado, quando Ronickson Pimentel dos Santos, do 1º Batalhão de Polícia de Choque Tobias de Aguiar (Rota), foi baleado na cabeça em São Caetano do Sul.
Ele foi levado ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde passou por uma cirurgia neurológica de emergência e permanece internado na UTI, sob monitoramento contínuo. O quadro de saúde é considerado gravíssimo, porém estável, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
Ronickson é irmão de Eloá Pimentel, morta aos 15 anos pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves em outubro de 2008, em um cárcere privado que durou cerca de 100 horas e foi acompanhado ao vivo por emissoras de televisão, tornando-se um dos casos de maior repercussão do país.
Relembre o caso Eloá
A adolescente Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, fazia um trabalho escolar com três colegas na sua casa, em Santo André, na Grande São Paulo, quando o seu ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, entrou no apartamento com um revólver de calibre 32. Ele agrediu com socos os meninos Iago Vieira e Victor Lopes e espancou Eloá com chutes e tapas.
A partir de então, dizendo que “não tinha mais o que perder”, proibiu todos de saírem. Começava, na tarde daquela segunda-feira, 13 de outubro de 2008, um cativeiro de cerca de cem horas, que atrairia a atenção do país e terminaria com uma tragédia, após uma atuação criticada da polícia no desfecho e ao longo do caso.
Conforme a investigação policial sobre o caso, Eloá e Lindemberg haviam namorado por dois anos e sete meses, até a menina terminar o relacionamento por não mais tolerar o ciúme doentio e a personalidade agressiva do rapaz. Lindemberg, porém, não aceitou a decisão da adolescente e passou a persegui-la, chegando a agredir a menina fisicamente.
Segundo o promotor público Antonio Nobre Folgado, responsável pela acusação, ao não conseguir reatar com Eloá, o jovem passou a fazer planos de matá-la, por não admitir que a adolescente vivesse sem ele. Um caso clássico de crime de gênero, nove anos antes da inclusão da tipificação de feminicídio no Código Penal.
O sequestro terminou de forma trágica, na sexta-feira, 17 de outubro, em movimento considerado um erro da polícia. Por volta das 18h, depois de mais de cem horas de cativeiro, agentes do Gate e da Tropa de Choque da PM explodiram a porta do apartamento e invadiram. Mais tarde, os responsáveis diriam que a atitude foi motivada pelo som de um disparo que teria vindo da residência, algo negado por testemunhas.
Antes que fosse imobilizado, Lindemberg atirou nas reféns. Eloá foi baleada na virilha e na cabeça. Ela foi levada a um hospital em estado grave e morreu no dia seguinte. Nayara foi alvejada no rosto. Ela deixou o local do crime andando, foi operada e se recuperou do ferimento.
Em fevereiro de 2012, Lindemberg foi julgado, considerado culpado por 12 crimes e condenado a 98 anos e 10 meses de prisão. Sua sentença foi transmitida ao vivo por diversas emissoras. Em 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena para 39 anos e três meses de prisão.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/07/01/policia-de-sp-identifica-atirador-de-tenente-da-rota-baleado-na-cabeca.ghtml

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