O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), atuou para impedir que recursos bilionários do Fundo Soberano do município fossem aplicados no Banco Master, instituição financeira que atualmente é alvo de investigações da Polícia Federal.
As informações foram reveladas pela coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, com base em mensagens interceptadas pela PF no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a apuração, Vorcaro tentou abrir negócios em Maricá ao longo de 2024 por meio do operador financeiro Ricardo Siqueira Rodrigues, lobista que já foi alvo da Operação Lava Jato e condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em um caso envolvendo o Trump Hotel.
A negociação, no entanto, não avançou após a Prefeitura de Maricá barrar qualquer movimentação envolvendo recursos públicos municipais.
De acordo com as mensagens analisadas pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro demonstrava preocupação com o andamento da operação. Em uma conversa registrada em 30 de julho de 2024, o banqueiro questionou o operador financeiro sobre a situação da negociação em Maricá.
“Aquele de Maricá travou?”, perguntou Vorcaro na troca de mensagens obtida pelos investigadores.
A Polícia Federal aponta que a movimentação fazia parte de uma tentativa de “captação” de investimentos envolvendo recursos públicos.
Na resposta, Ricardo Siqueira Rodrigues afirmou que ainda tentava reverter a situação e minimizar os impactos das notícias negativas envolvendo o banco.
“Deu um estresse, mas estou em campo contornando. As matérias assustaram, mas tem conserto. Essa semana mando notícias. Abs”, escreveu o operador.
A decisão da gestão municipal de impedir a aplicação do Fundo Soberano no Banco Master foi interpretada nos bastidores do mercado financeiro como uma medida de cautela diante dos alertas sobre a situação da instituição financeira.
O Fundo Soberano de Maricá é considerado um dos maiores do país entre municípios e reúne recursos estratégicos voltados para investimentos e desenvolvimento da cidade.
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação das investigações envolvendo o Banco Master e seus operadores financeiros, ampliando o debate sobre segurança na aplicação de recursos públicos e fiscalização do sistema financeiro.

