Hoje, a vida escreveu versos de um samba triste. O compositor, cantor e instrumentista Noca da Portela morreu neste domingo (17), aos 93 anos, deixando a vida para ganhar imortalidade em um legado construído dentro da Portela, do samba carioca e da cultura popular brasileira.
Agora ancestral do samba, seu Noca deixa uma obra que atravessa gerações e ajudou a contar parte importante da história cultural do Rio de Janeiro.
Nascido em Leopoldina, Minas Gerais, como Osvaldo Alves Pereira, veio ainda criança para o Rio e foi no subúrbio carioca que iniciou uma relação definitiva com a música, estudando violão e teoria musical antes de mergulhar de vez no universo do samba.
No fim dos anos 1960, ele entrou para a ala de compositores da Portela a convite de Paulinho da Viola e a partir dali, construiu uma trajetória que o transformaria em um dos nomes mais respeitados da história da escola e do samba.
Seu Noca venceu sete disputas de samba-enredo na Portela e essa marca fez dele um dos maiores vencedores da escola. Entre sambas históricos, parcerias e composições gravadas por grandes nomes da música brasileira, ajudou a consolidar uma linguagem de samba profundamente ligada à identidade popular carioca.
Uma de suas obras mais conhecidas, “Virada”, eternizada na voz de Beth Carvalho, virou símbolo de luta durante a redemocratização do país.
Ele pertencia à categoria que o samba costuma chamar de baluarte, aqueles que preservam memória, tradição e linguagem dentro das escolas. Presença constante na quadra da Portela, era tratado pela comunidade como griô, um guardião da história da Majestade do Samba.
Seu Noca estava internado desde o dia 30 de abril em um hospital em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, após um quadro de suspeita de pneumonia. O sambista permanecia no CTI desde o dia 10 até este domingo, quando se despediu da vida e partiu para a ancestralidade deixando, além do legado, dois filhos, sete netos e três bisnetos.
A Portela decretou luto oficial de três dias e publicou homenagem em sua página oficial.
“Com profundo pesar, o G.R.E.S. Portela comunica o falecimento do nosso eterno baluarte Noca da Portela.
Mineiro de origem, Noca chegou ao Rio de Janeiro ainda na infância e construiu uma trajetória marcante no samba. No fim dos anos 60, a convite de Paulinho da Viola, ingressou na ala de compositores da Majestade do Samba.
Na Portela, ele é compositor de sete sambas-enredo, sendo um dos maiores vencedores de disputas da escola. Entre suas obras eternizadas estão os sambas de 1995 e 2015, verdadeiros clássicos do Carnaval.
Figura querida e sempre presente em nossa quadra, Noca fará muita falta para toda a Família Portelense.
Em nome da presidência do G.R.E.S. Portela, ficam decretados 3 dias de luto oficial.
Enviamos todo o nosso carinho e solidariedade aos familiares, amigos e admiradores deste grande artista.
Em breve iremos divulgar informações de velório e sepultamento.
Descanse em paz, Noca!”



