Infiltração do crime organizado na economia formal é preocupante

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Carro de operadora legalizada é incendiado em Cachoeiras de Macacu (RJ) — Foto: Reprodução de redes sociais


Depois de ocupado o território, vem o domínio econômico. É assim que o crime organizado se fortalece. O faturamento com o tráfico já foi ultrapassado pela receita obtida com outros negócios, e a lista de serviços controlados pela criminalidade não se resume mais a botijão de gás, gelo ou carvão. Um dos que mais crescem é a venda de acesso a sinal de internet. Facções criminosas e milícias têm ampliado sua atuação no ramo, impondo taxas a quem fornece o serviço legalmente ou o explorando diretamente. Isso ocorre em 37 dos 92 municípios do Rio de Janeiro, como revelou levantamento do GLOBO.

Só na Região Metropolitana, há mais de cem pontos de fornecimento de internet controlados por tráfico ou milícia, segundo a Secretaria de Segurança. Provedor que não colabora sofre represália. Cabos são cortados, instalações danificadas e veículos incendiados. A área de atuação desses grupos é extensa. Além de bairros cariocas, há registros de casos em Angra dos Reis, Niterói, São Gonçalo, Macaé e Duque de Caxias.

A partir de 2022, o crime organizado passou a movimentar por ano quase R$ 150 bilhões apenas nos mercados de ouro, bebidas, combustíveis e lubrificantes, tabaco e cigarros, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os crimes no mundo digital, impulsionados por roubo e furto de celulares, geraram receita de R$ 186 bilhões de julho de 2023 a julho de 2024. São cifras muito superiores aos R$ 15 bilhões anuais que, de acordo com a pesquisa, as facções arrecadaram com o narcotráfico. Sem considerar o faturamento com drogas, as organizações criminosas já movimentam um volume de recursos comparável ao de grandes conglomerados financeiros.

O PCC parece ser a quadrilha mais avançada na infiltração da economia formal. A Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto passado, expôs o grau de sofisticação dos bandidos. Revelou que um braço do PCC operava na importação de derivados de petróleo e insumos destinados à indústria química, mobilizando grande estrutura de transporte para fornecer combustíveis a uma rede própria com mil postos. Metanol importado era usado para adulterar o etanol vendido neles. Bilhões lavados por meio de fundos de investimento multimercado e fundos imobiliários financiavam a compra de usinas e permitiam gastos com bens de consumo de luxo.

A expansão de facções como PCC e Comando Vermelho pela economia formal é um sinal de alerta. Todo esse cenário deve servir para apressar a integração das forças de segurança, única forma de o Estado enfrentá-las com eficácia. Quanto mais negócios dependerem do crime para operar, mais difícil se tornará combatê-las.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/opiniao/editorial/coluna/2026/05/infiltracao-do-crime-organizado-na-economia-formal-e-preocupante.ghtml

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