A realização da Marcha para Jesus 2026 em Niterói, marcada para o dia 25 de abril, ganhou contornos políticos após críticas feitas na tribuna da Câmara Municipal. O vereador Douglas Gomes (PL) acusou o prefeito Rodrigo Neves (PDT) de tentar capitalizar eleitoralmente o evento religioso, especialmente diante do cenário político que se desenha para 2026.
Segundo o parlamentar, há uma contradição entre o apoio dado pela Prefeitura a manifestações culturais que, segundo ele, teriam atacado valores cristãos durante o carnaval — em referência à Acadêmicos de Niterói e a ala dos “evangélicos conservadores na lata” — e o protagonismo agora assumido na organização da Marcha para Jesus. Para Gomes, o movimento levanta dúvidas sobre a real motivação da gestão municipal.
“O que está em jogo é saber se a Marcha é, de fato, para Jesus ou se está sendo usada como palanque político”, questionou o vereador, ao mencionar a possível participação de Fernanda Sixel no evento. A primeira-dama é apontada como possível candidata a deputada estadual nas eleições de 2026, o que, segundo ele, reforça o caráter político da iniciativa.
O discurso também trouxe críticas à condução da organização do evento. De acordo com o vereador, lideranças religiosas que tradicionalmente participavam da articulação da Marcha teriam sido afastadas após divergências com a Prefeitura, especialmente por críticas ao uso de recursos públicos no carnaval. Ele afirma que a interlocução com igrejas passou a ser centralizada por integrantes do governo municipal.
Além disso, Gomes resgatou declarações passadas do prefeito para questionar sua aproximação com o público evangélico. Ele citou falas em que Rodrigo Neves teria defendido o comunismo e o debate de gênero — temas que, segundo o vereador, entram em choque com valores defendidos por parte significativa da comunidade evangélica.
Enquanto isso, a Prefeitura mantém o discurso institucional de valorização do evento. A Marcha para Jesus deve reunir milhares de fiéis em caminhada pelo Centro da cidade, com encerramento no Caminho Niemeyer e apresentações de nomes conhecidos da música gospel como Aline Barros, Cassiane e Waguinho.
Nos bastidores, porém, o evento deixa de ser apenas uma manifestação de fé e passa a ocupar o centro de um embate político que mistura religião, estratégia eleitoral e disputa de narrativa às vésperas de um novo ciclo eleitoral.

