Ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, é solto no Rio

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Preso por porte ilegal de arma de uso restrito, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella foi solto neste sábado, após determinação do Ministro Alexandre de Moraes, enviada à Secretaria de Estado de Polícia Penal do Rio nesta manhã. O político, também pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, com o apoio de Flávio Bolsonaro, foi alvo da Operação Unha e Carne, que apura a ligação de agentes públicos com organizações criminosas. A soltura de Canella aconteceu mediante cumprimento de uma série de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a entrega do passaporte.
Arma apreendida no carro de Canella
PF
A prisão de Canella, na última quarta-feira, aconteceu após um fuzil ser encontrado na mala do carro dele durante a operação. Após passar por audiência de custódia, ele havia sido transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, unidade conhecida como Bangu 8.
A defesa do político se posicionou, neste sábado, sobre o caso por meio de nota: “a prisão não se sustentava, uma vez que a arma encontrada em seu veículo era legalizada e registrada em nome de seu segurança”. O advogado Pierpaolo Cruz Bottini também informou que q”todos os documentos foram apresentados ao Supremo Tribunal Federal, que subsidiaram a correta decisão. Canella continua a disposição para prestar todos os esclarecimentos a investigação”.
Movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões
A sexta fase da Operação Unha e Carne visa a desarticular uma quadrilha suspeita de usar postos de gasolina para lavar dinheiro. A operação teve origem em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta uma movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por uma rede de postos. Inicialmente, Canella era apenas alvo de busca e apreensão. O delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio, também é investigado.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em 19 endereços na capital e em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Ao todo, a Polícia Federal apreendeu 11 carros de luxo — entre eles, uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão. Em uma empresa em Niterói, foram encontrados cerca de R$ 800 mil em espécie. Um PM também foi preso por porte de arma na casa de um dos investigados.
Delegado também é investigado
Pablo Jukiá Felix Ferreira, citado na sexta fase da Unha e Carne, era um deles. Em setembro de 2024, o então governador Cláudio Castro exonerou Amim porque estaria “descontente” com o trabalho dele na Secretaria de Polícia Civil. Uma semana depois o delegado já estava na Alerj, onde ficou como chefe da segurança até dezembro do ano passado. Segundo o Jornal Nacional, as investigações apontam que Amim seria dono de duas lojas de conveniência em postos de combustíveis.
Bonde da milícia
Conhecido como Pablo Russo, Pablo Jukiá Felix Ferreira integrou a equipe de Marcus Amim em diversas delegacias. Hoje ele está lotado na 81ª DP (Itaipu). O rendimento líquido de quase R$ 10 mil por mês do policial chamou a atenção da PF porque um levantamento apontou o agente como proprietário oculto de uma rede de postos de gasolina, que envolveria 80 empresas em nome de laranjas.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. A Unha e Carne está no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela PF por determinação do Supremo Tribunal Federal dentro da ADPF das Favelas, a ADPF 365.
Outro investigado é o ex-PM Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, acusado de chefiar um grupo de milicianos na Baixada Fluminense. Preso em 2009 por associação criminosa e homicídio, ele foi condenado a mais de 20 anos de prisão. Acusado de chefiar o Bonde do Jura, citado no relatório da CPI das Milícias (2008), o ex-policial apareceu em fotos de campanha ao lado de Daniela Carneiro, a Daniela do Waguinho, e de Canella, no período eleitoral de 2018, quando estava em regime semiaberto. Jura foi excluído da Polícia Militar em 2011.
Procuradas, as defesas de Amim, Russo e Juracy não deram retorno ou não foram localizadas. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que instaurou uma investigação para apurar os fatos.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/casos-de-policia/noticia/2026/07/ex-prefeito-de-belford-roxo-marcio-canella-e-solto-no-rio.ghtml

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