Os skatistas foram os protagonistas da rodada do último sábado (20) da 44ª edição do Intercolegial O GLOBO/Sesc, realizada na Vila Olímpica do Encantado, na Zona Norte do Rio. Ao longo do dia, entre ollies, kickflips e grinds, atletas de diferentes categorias disputaram os títulos do tradicional torneio estudantil, que reuniu competidores federados e não federados e reuniu 70 atletas.
A programação começou pela manhã, com as disputas da categoria sub-10, e se estendeu até o fim da tarde com as provas das categorias sub-14 e sub-18, nos naipes masculino e feminino. As baterias foram precedidas por períodos de aquecimento e culminaram na cerimônia de premiação, realizada às 17h. A competição contou ainda c9m a narração da skatista Bel Nascimento, responsável por conduzir os atletas e explicar cada manobra realizada pelos competidores. A música também teve espaço com Marcelo Henrique DJ, que preparou um set especial com sons da cultura do skate, com cantares nacionais e internacionais.
Um dos destaques do dia foi Martin Hull. Aos 6 anos, ele foi o competidor mais novo da final de skate, ficando em segundo lugar geral da categoria sub-10. O pai do garoto, Pedro, que também andou de skate na juventude, conta que estimulou o filho desde pequeno e o acompanha de perto na pista.
—Eu fico amarradão demais, apoio demais. Estamos aí trabalhando, sempre estimulando, apoiando e do lado dele pra esse e pros próximos campeonatos— disse o pai.
Além das manobras, as arquibancadas também deram um espetáculo à parte. Pais, amigos e colegas de escola acompanharam as apresentações e vibraram a cada tentativa bem-sucedida dos competidores. O Intercolegial é realizado pelo GLOBO, com patrocínio do Sesc-RJ e apoio da Guaracamp.
A atleta Manuh Rezende foi a grande campeã na categoria sub-15 federado feminino. A estudante da rede ZeroHum, de Itaipu, na região Oceânica de Niterói, soma três anos de skate e já encara uma rotina de competições estaduais e internacionais. Mas ela mira voos ainda mais altos: o sonho é disputar o STU e, um dia, os Jogos Olímpicos.
— Consegui acertar minha linha, estou muito feliz, consegui também andar com as minhas amigas— conta.
O Santa Mônica Rede de Ensino se sagrou, mais uma vez, o líder geral no skate do Intercolegial — resultado, segundo o coordenador de esportes Luiz Cezar Soares, de um trabalho de base que a escola vem desenvolvendo nas unidades, incluindo aulas de extraclasse abertas a alunos não federados.
—É um trabalho que a gente vem fazendo dentro da escola, não só do skate como de outras modalidades. A gente já vinha esperando uma pontuação alta no skate aqui, não desmerecendo as outras escolas— afirmou.
Aos 13 anos, Brenda Moura já soma competições nacionais e internacionais: Estados Unidos e França incluídos — apesar de não ser a campeã desta edição, na categoria sub-18, ela foi destaque após integrar a seleçã brasileira de skate. O caminho até o skate passou pelo surfe: foi a própria professora de surfe quem sugeriu, quando ela tinha 7 anos, que experimentasse o skate. Deu certo — hoje os dois esportes dividem o coração da atleta, junto com o sonho de chegar às Olimpíadas.
—Competir lá fora é muito importante para ver como está o nível, não só aqui no Brasil. Fico muito feliz por estar conseguindo competir internacionalmente. E o Intercolegial foi fundamental nesse caminho— conta.
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Com a criação da categoria não federados, o número de inscritos no skate do Intercolegial quase dobrou nesta edição, segundo o coordenador da modalidade, Bruno Funil. A mudança surgiu para equilibrar a disputa diante de uma disparidade técnica que já rendeu ao campeonato nomes hoje na elite mundial — como Mateus Mendes e Duda Ribeiro, ausentes nesta edição por estarem competindo no Mundial de Roma. Para o ano que vem, Funil já adianta: depois de cinco edições seguidas na Vila Olímpica do Encantado, a ideia é levar a competição para outra pista do Rio.
—A gente teve uma disparidade de nível técnico muito grande e, pra abraçar mais skatistas, criamos a categoria não federados, a galera que está começando, fazendo suas primeiras manobras. Isso fez com que entrassem muito mais competidores e competidoras, e a gente está feliz demais — explica.

