Copa do Mundo 2026: a febre do álbum de figurinhas chega antes da bola rolar

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‘Caos gerado por figurinhas da Copa do Mundo leva colégio a lançar cartilha’, ‘escolas proíbem trocas de figurinhas de álbum da Copa’. As notícias com esses títulos foram publicadas neste 2026, às vésperas do começo do Mundial de futebol, mas remetem à minha infância. O álbum de figurinhas da Copa do Mundo também causou confusão na minha escola pública e as figurinhas chegaram a ser proibidas em outras, de amigos da rua, lá na época do tricampeonato da seleção brasileira em 1970. Os meninos – e algumas poucas meninas – brigavam, por vezes, nas trocas de figurinhas e também no jogo de bafo na hora do recreio (uma disputa para virar as figurinhas com a batida da mão – quem vira, leva).

A Copa do Mundo de 1970 – disputada no México por 16 seleções – foi a primeira com transmissão ao vivo pela TV para o Brasil. Nos últimos 56 anos, muita coisa em relação ao Mundial de futebol mudou: a Copa do Mundo 2026 reunirá 48 seleções, com 108 jogos em três países (Estados Unidos, Canadá e México) – em 1970, foram 32 partidas -, com transmissão para quase o mundo inteiro por emissoras de TV aberta, de TV por assinatura, de canais no streaming, no YouTube, até nas redes sociais.

Mas o álbum de figurinhas da Copa do Mundo (figurinhas impressas em papel em plena era digital) permanece um sucesso de público entre crianças e adultos neste planeta bola – o álbum oficial está sendo vendido em mais de 130 países. E segue provocando uma febre de trocas, jogos de bafo e confusão nas escolas. Neste século 21, já existem figurinhas digitais e aplicativos especializados em trocas, mas são as fotos dos jogadores em papel e o álbum impresso que movimentam multidões.

Naturalmente, os álbuns com as fotos dos jogadores participantes dos mundiais de futebol também passou por grandes transformações, como mostra o livro ‘O álbum dos álbuns de figurinhas das Copas, do jornalista Marcelo Duarte‘, que conta a história de todas as coleções já lançadas no Brasil desde 1934, quando foi disputada a segunda Copa do Mundo, na . No país do futebol, as Copas de 1934 e 1938 só tiveram figurinhas avulsas; os álbuns só começaram a ser publicados no Brasil em 1950. No começo, havia uma grande variedade de álbuns: este colunista, com menos de 10 anos de idade, colecionou figurinhas e completou três álbuns da Copa do Mundo de 1970 – um deles, mais caro, era com figurinhas impressas em material metálico.

Antigos álbuns de figurinhas: tradição impressa resiste na era digital (Foto: Panda Books / Divulgação)

Os álbuns acompanharam a profissionalização, a globalização e os negócios do mercado milionário do futebol. Desde a década de 1970 na produção de álbuns, a editora italiana Panini negociou, com a Fifa, os direitos de comercialização das figurinhas oficiais da Copa do Mundo.  Ainda assim, nos Mundiais seguintes, ainda apareceram álbuns paralelos. Mas, com as receitas do futebol subindo, a partir da Copa do Mundo de 1998, os álbuns da Panini passaram a ter praticamente o monopólio das figurinhas, com ações conjuntas com a Fifa para proteger os direitos e processar os ‘clandestinos’ – a parceria Fifa/Panini, aliás, acaba em 2030, na Copa do Mundo da Arábia Saudita; a partir de 2031, os direitos foram vendidos ao grupo Fanatics.

Os álbuns de figurinhas da Copa do Mundo, que já eram sucesso nos países amantes do futebol, ganharam ainda mais projeção e viraram uma verdadeira febre: a cada quatro anos, são investidos milhões em publicidade para a venda dos pacotinhos com os cromos de jogadores, times perfilados, bandeiras, escudos e estádios para o Mundial.  O Brasil, com a única seleção a ter disputado todas as Copas desde 1930 e a única a ter conquistado cinco títulos mundiais, costuma ser o país, onde são vendidos mais álbuns e mais figurinhas – a Alemanha, tetracampeã, geralmente aparece num distante segundo lugar.

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Álbuns dos Mundiais 2006, 2010 e 2014: completar o álbum da Copa do Mundo 2026 com 980 figurinhas deve custar cerca de R$ 7 mil (Foto: Oscar Valporto)

Um mês antes da Copa do Mundo 2026 começar já era possível ver a febre das figurinhas tomando conta dos brasileiros – principalmente os mais abonados porque cada pacotinho com sete cromos custa R$ 7 reais e, de acordo com os especialistas em cálculos, para completar um álbum, com compras e trocas, será necessário gastar em torno de R$ 7 mil. Como Dona Fifa vem inflando o número de seleções no Mundial, para cobrir os 48 países de 2026, o álbum oficial tem 112 páginas e 980 cromos. Para comparação, os álbuns mais recentes completados por este apaixonado por futebol e Copa do Mundo tinham 80 páginas e 640 figurinhas da Copa no Brasil 2014; 76 páginas e também 640 cromos no álbum da África do Sul 2010; e 72 páginas de 598 figurinhas no álbum do Mundial da Alemanha 2006.

De qualquer forma, pelas ruas do Rio de Janeiro, já é impossível ignorar a Copa do Mundo 2026 e seu álbum de figurinhas. As bancas de jornais e revistas – onde hoje vende-se de tudo mas poucas revistas e jornais – estão cobertas de propaganda e viram o número de clientes se multiplicar.  São pais e mães cercados de crianças ávidas por figurinhas a adultos de todas as idades que, às vezes, esgotam o estoque da banca. Tem até “especialistas” que chegam a pesar pacotes para tentar identificar aqueles onde estão cromos supostamente mais pesados e supostamente mais difíceis.

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Ponto de troca de figurinhas da Copa do Mundo 2026 em shopping da Zona Norte do Rio: febre vai tomando conta das cidades (Foto: Shopping Nova América / Divulgação)

Conforme a Copa do Mundo 2026 se aproxima (os jogos começam dia 11 de junho, a seleção brasileira estreia dia 13), também se multiplicam, como virou tradição, barracas e tabuleiros de ambulantes que vendem figurinhas avulsas, por preços de acordo com o mercado das mais disputadas, e também fazem trocas de todos os tipos. Também há pontos de trocas organizados em shopping centers, supermercados, lojas de artigos esportivos, livrarias, estações de metrô e feiras diversas. Em São Paulo, já foi promovido até um campeonato de bafo na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, já foram apreendidas milhares de figurinhas falsificadas.

E faz parte da tradição – desde o meu álbum lá de 1970 – que faltem jogadores importantes nas seleções escaladas pelas editoras, porque os álbuns ficam prontos para comercialização antes das convocações dos treinadores e, mesmo no atual com 980 cromos, só aparecem 18 jogadores em cada equipe (as listas finais têm 26). Na seleção do tri do álbum, faltava a figurinha de Paulo César (Lima, Caju), craque do Botafogo, que jogaria quatro das seis partidas do Mundial, duas como titular.

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Páginas do Brasil no álbum da Copa do Mundo 2026: craques ausentes e não convocados presentes (Foto: Reprodução)

No Brasil deste novo álbum, tem cromos de cinco ausentes da lista de Carlo Ancelotti – inclusive os lesionados Rodrygo, Estevão e Militão, que provavelmente estariam no Mundial. Dos convocados sem figurinhas, se ainda fosse colecionador, só sentiria falta de um, que tem potencial para ser protagonista da Copa do Mundo 2026: Endrick, jovem craque de 19 anos. Sobre Neymar, convocado agora pelo lobby milionário dos negócios do futebol, tenho seu cromo no álbum da Copa do Mundo 2014, quando ele foi o principal jogador do Brasil. Em 2026, vale para o ex-superstar, uma máxima das ruas: ‘figurinha repetida não completa álbum’.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/copa-do-mundo-2026-febre-album-figurinhas-antes-da-bola-rolar/

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