Faltam menos de quatro semanas para o IRONMAN 70.3 Rio de Janeiro, o chamado meio IRONMAN, em 9 de agosto. Eu, que corro maratonas e nado no mar, escuto de vez em quando a pergunta: “E quando vem o IRONMAN?”. A resposta, até segunda ordem, continua sendo: nunca. Mas a admiração por quem encara esse desafio é enorme.
No caso de Carlos Galvão, CEO da Unlimited Sports, responsável pela marca IRONMAN no Brasil, meu fascínio é ainda maior. Ele vive as duas pontas dessa história: como executivo que organiza as provas, e como triatleta, que sente no próprio corpo as dores, dúvidas e alegrias de um esporte tão desafiador. “Estar nos bastidores é um privilégio, consigo enxergar o tamanho da operação e o quanto de gente trabalha para que tudo aconteça. Mas isso não muda nada quando a largada acontece e estou no modo atleta. O mar continua gelado, a subida continua dura e a dor continua igual para todo mundo. O mar, a bike e a corrida não se impressionam com cargo”, destaca Galvão.
Galvão segue competindo em alto nível. Neste ano, venceu o IRONMAN 70.3 Panamá na categoria 55-59 anos e fez seu melhor tempo em provas IRONMAN 70.3. “Com a idade, o corpo passa a exigir mais inteligência e menos ego. Você aprende que treinar melhor é mais importante do que treinar mais. Hoje, eu respeito mais os sinais do corpo e entendo que consistência vale muito mais do que intensidade desenfreada”.
É nesse espírito que o Rio se prepara para receber novamente no IRONMAN 70.3. A distância é metade da prova completa, mas não há nada de simples em encarar quase dois quilômetros no mar, noventa de bike e uma meia maratona. Mais do que uma competição, a prova reafirma o lugar que o Rio vem ocupando como palco de grandes experiências esportivas, capazes de movimentar a economia muito além do pórtico de chegada.
Segundo a organização, o circuito brasileiro movimenta mais de R$ 150 milhões por ano, impulsionando turismo, hotelaria, restaurantes e comércio local. Um sinal claro desse movimento veio na semana seguinte à última edição do IRONMAN Brasil, em Florianópolis: as inscrições para 2027 foram abertas e se esgotaram em oito horas. “Fico muito feliz em ver o IRONMAN Brasil ser reconhecido mundialmente como uma das melhores etapas do circuito, porque isso mostra que todo o cuidado, dedicação e paixão colocados no evento realmente chegam até quem mais importa: o atleta”.
O dado mostra não apenas a força da marca, mas uma mudança no comportamento dos atletas amadores, que buscam provas que entregam algo além de testar os próprios limites: querem viver uma experiência, viajar, pertencer a uma comunidade. “Hotéis lotados, restaurantes movimentados, famílias viajando juntas, turismo sendo impulsionado em baixa temporada. O IRONMAN deixou de ser apenas uma prova esportiva há muito tempo. Ele movimenta economia, estilo de vida e até transformação urbana”, afirma.
Para Galvão, o triathlon ensina equilíbrio, estratégia e autocontrole. E, entre os aprendizados, há um que costuma ser decisivo: a paciência. Uma lição que, para ele, vale também fora do esporte. “Esse esporte ensina resiliência, tomada de decisão sob pressão e, principalmente, disciplina silenciosa. O triathlon pune a ansiedade. Você precisa controlar o impulso o tempo inteiro. Se você se excede em uma etapa, normalmente o corpo cobra caro na seguinte”.
E, para quem ainda vê o triathlon como algo reservado a superatletas, Galvão lembra que o IRONMAN pode até ser o grande sonho, mas existe uma jornada antes disso, com diferentes distâncias e níveis de desafio. “O triathlon pode, sim, fazer parte da vida das pessoas de forma equilibrada e acessível. Uma linha de chegada de um triathlon sprint, com 750 metros de natação, 20 quilômetros de ciclismo e 5 quilômetros de corrida, também pode ser emocionante. No fundo, o triathlon é muito mais sobre superar os próprios limites do que competir contra os limites dos outros”, conclui.

