O que já foi um espaço de incentivo ao esporte, lazer e até de apoio à saúde pública hoje é motivo de preocupação para moradores do Jardim Atlântico Central, em Itaipuaçu. A área onde funcionava a pista de skate, localizada na Rua Van Lerbergue (antiga Rua 34), entre as ruas Elisa Vieira Veras (antiga 52) e Alice Maximino de Souza (antiga 53), apresenta sinais de abandono e levanta questionamentos sobre o futuro do espaço.
O cenário encontrado pela reportagem do Maricá Info é de deterioração. A proteção da área está danificada, há acúmulo de água parada, lixo descartado irregularmente, estruturas enferrujadas, equipamentos quebrados e diversas pontas metálicas e lascas expostas, oferecendo risco para quem ainda tenta utilizar o local.
Além da falta de manutenção, moradores relatam que a presença frequente de pessoas em situação de vulnerabilidade social, principalmente durante a noite, aumentou a sensação de insegurança na região. Com receio de represálias, muitos preferiram não gravar entrevistas.
De referência estadual do skate ao abandono
A situação chama ainda mais atenção porque foi justamente neste terreno que Maricá realizou, entre abril e maio de 2024, o Maricá Skate Fest, evento que colocou o município no calendário estadual da modalidade. O festival reuniu atletas de diversas cidades e estados, promoveu clínicas esportivas para estudantes da rede municipal e competições nas categorias mirim, iniciante, master, amador, profissional e paraskate, movimentando Itaipuaçu durante quase uma semana.

Na época, a arena montada na quadra formada pelas ruas Elisa Vieira Veras, Wahlenberg (antiga 34), Alice Máximo de Souza e Rua 52 foi apresentada como um importante espaço para incentivar a prática do skate e ampliar o acesso ao esporte entre crianças e adolescentes.
Pouco tempo depois, durante o período de maior incidência de dengue em Maricá, o mesmo terreno ganhou uma nova função. A Prefeitura instalou no local uma estrutura provisória para atendimento de pacientes com suspeita da doença, reforçando a importância estratégica da área para a comunidade.
Hoje, apenas incertezas
Passado pouco mais de um ano, a realidade é completamente diferente. O espaço, que recebeu atletas de todo o Brasil e serviu de apoio em um momento delicado da saúde pública, hoje transmite uma imagem de abandono. Durante a gravação desta reportagem, a equipe do Maricá Info precisou interromper parte das filmagens após ser informada de que os atuais responsáveis pela área não autorizavam registros no local.
Enquanto isso, moradores questionam qual será o destino do terreno.
A população cobra respostas da Prefeitura de Maricá sobre a existência de um cronograma para recuperação da área, quando serão realizados os reparos necessários para garantir segurança aos praticantes de esportes e se o espaço voltará a ser destinado ao lazer, ao esporte ou receberá outro equipamento público que beneficie os moradores de Itaipuaçu.
Prefeitura diz que acompanha a situação
Procurada pelo Maricá Info, a Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Esportes, informou que acompanha as demandas relacionadas ao espaço e realiza a manutenção do equipamento conforme critérios técnicos.
Sobre os relatos da presença de pessoas em situação de rua, a pasta afirmou que não recebeu registros oficiais sobre essa utilização da área. Acrescentou, porém, que, caso a situação seja constatada, os órgãos competentes serão acionados para as providências cabíveis.
Enquanto isso, moradores afirmam que o abandono continua evidente e defendem que um espaço que já representou esporte, inclusão social e atendimento à população volte a cumprir uma função útil para o bairro, em vez de permanecer fechado e deteriorado.

