Baleado e morto num tiroteio com policiais militares, ocorrido nesta terça-feira, no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio, Rodrigo Santos, de 41 anos, conhecido como Pará, é apontado em processos que tramitam na Justiça como integrante do Comando Vermelho (CV) e segundo homem na hierarquia do bando na comunidade. Em um dos casos, ele e outras quatro pessoas tiveram as prisões preventivas decretadas pela 4ª Vara Criminal do Rio, no dia 8 de julho de 2026, por suspeita de envolvimento na morte do barbeiro Fábio Oliveira Fortes, de 26 anos.
Por conta de outros crimes, Pará tem ainda mais três mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em seu nome. Segundo o processo que tramita na 4ª Vara Criminal, Rodrigo Santos teria envolvimento em disputas territoriais com a facção rival Terceiro Comando Puro (TCP) em comunidades que dividem o Complexo do Chapadão e o Complexo da Pedreira, em Costa Barros. Sem qualquer envolvimento com o crime, Fábio perdeu a vida justamente em um ataque promovido por traficantes do CV. Ele conversava com um amigo na porta de sua barbearia, no Morro do Chaves, na Pedreira, quando, por volta das 8h20 do dia 1º de maio de 2025, homens armados pararam um carro no local. Em seguida, um deles atirou contra a dupla e atingiu a vítima. O barbeiro foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Costa Barros e, em seguida, transferido para o Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. Ele, no entanto, não resistiu aos ferimentos e morreu. A pessoa que conversava com Fábio conseguiu fugir correndo.
Segundo despacho do juízo que decretou a prisão de Rodrigo Santos, a vítima foi morta apenas porque trabalhava em uma área que tinha territórios controlados por uma facção rival do CV. ” O fato criminoso imputado aos denunciados reveste-se de extrema gravidade na medida em que os autos noticiam que a vítima teve sua vida ceifada simplesmente por exercer seu ofício em localidade dominada por organização criminosa rival da que os acusados fazem parte. Há indícios de que os denunciados tem uma vida voltada para o crime, possuindo vínculos estreitos com a organização criminosa que explora o tráfico de drogas na região onde se deram os fatos, ocupando inclusive posição de liderança dentro desta estrutura criminosa”, escreveu o magistrado num dos trechos de sua decisão, ao decretar a prisão de Pará e de outras quatro pessoas.
Nesta terça-feira, Pará foi baleado durante uma operação para a retirada de barricadas. Segundo a PM, agentes foram recebidos a tiros na comunidade Via Light, que faz parte do Complexo do Chapadão. Com o suspeito, os policiais apreenderam uma pistola calibre 9 mm com numeração raspada, um carregador, cinco munições e um detector de drones.
Segundo a PM, a ação do 41º BPM (Irajá) faz parte da operação Barricada Zero e teve como objetivo, além da remoção de bloqueios nas vias, reprimir roubos de cargas e veículos, assim como recuperar automóveis roubados ou clonados.
Ainda segundo a PM, os agentes foram recebidos a tiros na comunidade Via Light, no Chapadão, ocasião em que Pará foi encontrado baleado. Por conta do tiroteio, oito escolas municipais tiveram o funcionamento impactado na região.
