O dia 7 de novembro marca a data em que o ator americano Steve McQueen nos deixou. Mais de quatro décadas se passaram desde sua morte, mas o mito permanece intacto. Ele entrou para a história das artes dramáticas não apenas como uma das maiores estrelas do cinema, mas também como um ícone cultural. Seu estilo de atuação contido e sutil — que até hoje inspira gerações de atores ao redor do mundo — gerava uma conexão e identificação imediatas com o público, quer ele interpretasse o herói ou o anti-herói da trama. Descrito por especialistas da sétima arte como o ápice da atitude e da elegância natural em cena, McQueen consagrou o célebre apelido de “The King of Cool”. Brian Williams, ex-âncora da NBC e eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, resumiu o impacto de McQueen na cultura ocidental quando afirmou que ele se tornou a referência absoluta de estilo e de postura masculina perseguida pelo público por décadas.
Vindo de um contexto familiar turbulento, McQueen frequentemente dava vida a personagens rebeldes, densos, obstinados e sedutores — papéis que refletiam de forma muito próxima sua história pessoal. A voz grave e pausada, a economia corporal, os movimentos precisos, o olhar expressivo, o carisma e o talento fizeram dele uma figura indispensável nas produções dos anos 1960 e 70. Mesmo com a fama de ser um profissional difícil e de volta e meia entrar em atrito com os diretores, sua presença na produção garantia tanto boas bilheterias quanto a aprovação da crítica. A força de sua atuação transformou muitas dessas obras em clássicos. E McQueen era criterioso na escolha dos papéis que interpretava: recusou propostas milionárias e disse “não” a grandes cineastas, entre eles Francis Ford Coppola e Miloš Forman, para estrelar filmes como Apocalypse Now (1979) e Um Estranho no Ninho (1975).
Nomes como Colin Farrell, Kevin Costner, Pierce Brosnan e Bruce Willis o citam frequentemente como modelo para a construção de personagens. O astro também é sempre citado nas listas das maiores estrelas de todos os tempos de revistas como Première e Empire. O alcance de sua influência ultrapassou o cinema e marcou forte presença na música:
– A banda The Rolling Stones se refere a ele na faixa “Star Star”.
– Sheryl Crow homenageou o ator no single “Steve McQueen”.
– A banda Drive-By Truckers escreveu um tributo que retrata o impacto cultural do ator na infância de muitos fãs: “Quando eu era menino, queria crescer para ser Steve McQueen”.
– O grupo Prefab Sprout nomeou um de seus álbuns mais aclamados como Steve McQueen.
– O ator também é citado em composições de Leonard Cohen, R.E.M., Beastie Boys, Blur, Boy George, Elton John, entre outros artistas.
McQueen se definia como um “cínico indomável” e um “rebelde atípico”, sempre atraído por personagens obcecados por alguma causa. Amante da velocidade, transformou a paixão por carros e motos em um acervo pessoal que reunia mais de 100 motocicletas. Ao estrear em Hollywood em meados de 1950, foi imediatamente apontado como sucessor de James Dean, que havia marcado a cultura pop com Juventude Transviada (1955) e morrido tragicamente aos 24 anos, pouco antes do lançamento do filme.
Steve McQueen se casou três vezes:
– Neile Adams: Cantora e dançarina, com quem viveu por 16 anos e teve dois filhos.
– Ali MacGraw: Estrela do clássico Love Story (1970), a quem conheceu no set de Os Implacáveis (1972) e com quem ficou casado entre 1973 e 1978.
– Barbara Minty: Modelo com quem compartilhou os dois últimos anos de vida.
Steve McQueen morreu em 7 de novembro de 1980, aos 50 anos, em decorrência de um mesotelioma, câncer raro na membrana que reveste os pulmões. Atendendo a um pedido seu, seu corpo foi cremado e as cinzas foram lançadas no Oceano Pacífico. Posteriormente, seu nome foi imortalizado no Motorcycle Hall of Fame. Sete filmes essenciais para compreender o legado e a influência de Steve McQueen:

– Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 1960)
Um dos faroestes mais emblemáticos do cinema, no qual McQueen rouba a cena mesmo atuando com um elenco estelar liderado por Yul Brynner. Disponível para aluguel ou compra no Apple TV e na Prime Video.

– Fugindo do Inferno (The Great Escape, 1963)
O filme que consolidou sua imagem de anti-herói corajoso e rebelde. A célebre cena em que seu personagem tenta saltar de moto a cerca de arame farpado na fronteira entre a Alemanha e o território neutro Suíça, onde ele quer chegar, tornou-se uma das imagens mais icônicas da história do cinema. Disponível no Netflix.

– O Canhoneiro do Yang-Tsé (The Sand Pebbles, 1966)
Drama épico ambientado na China dos anos 1920 que deu a Steve McQueen a sua única indicação ao Oscar de Melhor Ator. Na pele de um maquinista da Marinha americana, ele faz uma das atuações mais complexas e humanas de sua carreira. Disponível para aluguel ou compra na Prime Video.

– Bullitt (1968)
Definiu o padrão do gênero de ação policial e apresentou a sequência de perseguição de carros mais famosa do cinema pelas ruas de São Francisco. McQueen, que dirigiu a maior parte dos take de ação, fixou o modelo de atitude cool que influenciaria esse tipo de filme por décadas. Disponível na HBO Max.

– Os Implacáveis (The Getaway, 1972)
Dirigido por Sam Peckinpah, este clássico thriller de assalto combina violência estilizada e tensão constante. Além da performance marcante de McQueen como o ex-presidiário Doc McCoy, o filme é famoso pela química com Ali MacGraw (com quem ele se casaria logo depois). Disponível na Prime Video.

– Papillon (1973)
Com uma atuação visceral ao lado de Dustin Hoffman nesse drama sobre a fuga de uma prisão de segurança máxima na Guiana Francesa, McQueen demonstra toda a sua força dramática, que vai além dos filmes de ação. Disponível na Oldflix e Looke.

– Inferno na Torre (The Towering Inferno, 1974)
Um dos maiores sucessos de bilheteria dos anos 1970 no gênero “filme de desastre”. McQueen interpreta o chefe dos bombeiros ao lado de Paul Newman, em um duelo cinematográfico de gigantes. Disponível para aluguel ou compra no Apple TV e na Prime Video.
