A polícia da Escócia abriu uma investigação sobre a passagem do ex-magnata e criminoso sexual Jeffrey Epstein — encontrado morto na prisão em 2019, quando respondia por tráfico sexual de menores — e sua cúmplice Ghislaine Maxwell pelo Castelo de Balmoral, a convite do então príncipe Andrew. A investigação foi confirmada pelas autoridades policiais nesta sexta-feira, enquanto a imprensa do Reino Unido especula que o caso pode ter relação com a presença de mulheres vítimas do esquema criminoso na propriedade da família real britânica.
A investigação ainda está em um “estágio muito inicial”, afirmou um porta-voz da polícia escocesa ouvido pelo The Guardian. Em anonimato, a fonte confirmou que as apurações têm como base provas, e “as necessidades das vítimas sobreviventes” como ponto central, mas que não haverá confirmação sobre detalhes enquanto a apuração estiver em andamento. O jornal Daily Express noticiou que as apurações dizem respeito a alegações de que mulheres teriam sido vítimas de tráfico humano para a propriedade, localizada nas Terras Altas da Escócia — onde a rainha Elizabeth II passou seus últimos dias.
Os fatos teriam se passado em 1999, período em que o príncipe Andrew mantinha laços notoriamente conhecidos com Epstein e Ghislaine. Irmão do rei Charles III, Andrew perdeu os títulos reais em 2025, após e-mails trocados com Epstein revelarem que os dois mantinham vínculos muito depois do alegado pelo ex-membro da realeza, que declarou publicamente ter cortado contato com o financista em 2010.
Uma das principais acusações relacionadas ao agora ex-príncipe e o esquema de exploração sexual liderado por Epstein partiu de uma das vítimas exploradas, Virginia Giuffre, à época menor de idade, que se suicidou tempos depois. Em um livro de memórias, Giuffre afirma que manteve relações com Andrew, descrevendo-o como “arrogante”, e que teria apontado um “direito de nascença” para manter os atos sexuais com ela.
Andrew chegou a ser preso preventivamente durante uma investigação policial, em fevereiro de 2026, sob suspeita de que poderia tentar usar o irmão e monarca Charles III para impedir oficiais de entrarem em sua casa em Sandringham, ligadas ao caso Epstein. Mais cedo neste mês, o ex-príncipe apresentou um recurso para tentar anular as ordens que autorizaram as buscas em suas propriedades. (Com AFP)
