Projeto oficial prevê pista maior e mais voos, mas o foco é regional e o setor de petróleo; entenda de forma simples o que vem por aí
Você já deve ter ouvido falar que Maricá quer ter voos internacionais e atrair turistas pelo aeroporto da cidade. Mas o que o projeto oficial realmente prevê é um pouco diferente do que costuma circular por aí. A gente explica de forma simples.
Como é o aeroporto hoje
O Aeroporto de Maricá fica no Centro, perto da Lagoa de Maricá, e é administrado pela Codemar. Hoje ele funciona quase todo voltado para o setor de petróleo: a maior parte dos voos são de helicópteros que levam trabalhadores para as plataformas no mar. É um dos aeroportos que mais fazem esse tipo de operação no país.
O que vai mudar
O plano da Prefeitura é ampliar a pista, que hoje tem cerca de 1.190 metros, para 1.800 metros. Com isso, o aeroporto poderá receber aviões maiores e passar a operar voos regionais de passageiros e de carga, além de continuar atendendo o setor de petróleo. A obra está prevista para acontecer aos poucos, até 2045.
E os voos internacionais?
Aqui está o ponto que costuma gerar confusão. No projeto oficial, os voos internacionais que aparecem são de aviação executiva — ou seja, jatos particulares e de empresas, e não voos de companhias aéreas cheios de turistas. Para receber voos internacionais comerciais de verdade, o aeroporto precisaria de muito mais do que uma pista grande: seria necessário ter alfândega da Receita Federal, controle de passaportes da Polícia Federal, fiscalização sanitária e autorização da Anac. Tudo isso custa caro e só se mantém se houver muita gente viajando.
O exemplo de Cabo Frio
Para entender o desafio, basta olhar para o vizinho. O aeroporto de Cabo Frio já é internacional, tem pista grande e alfândega prontas — e mesmo assim está sem voos comerciais regulares desde março de 2025. Ou seja: ter uma pista longa não enche avião sozinho. O que enche avião é a procura dos passageiros. E Maricá ainda concorre de perto com o Galeão e o Santos Dumont, no Rio.
O que pode ajudar Maricá
Por outro lado, a cidade tem trunfos. O grande complexo turístico MARAEY, com obras prevista para iniciar nos próximos dias, deve atrair turistas de alto padrão para perto do aeroporto. E Maricá tem dinheiro para investir: é a cidade que mais recebe royalties do petróleo no país e tem um Fundo Soberano de mais de R$ 2 bilhões.
O aeroporto de Maricá vai crescer e ganhar mais voos nos próximos anos, isso é fato. Mas a ideia de virar um grande portão de entrada de turistas internacionais ainda é mais um sonho do que um plano definido no papel. A ampliação depende ainda da concessão do aeroporto para a iniciativa privada, processo que segue em andamento.
Maricá Info segue acompanhando cada etapa do projeto.
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