'Eles lavam para nós': cobrança de 'dinheiro do crime' é usada como prova contra Deolane Bezerra

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Deolane vivia com montantes de dinheiro espalhados pela casa, revelou ex-diarista — Foto: Reprodução/Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo




A Polícia Civil de São Paulo incorporou ao inquérito da Operação Vérnix uma série de áudios e vídeos enviados por WhatsApp a uma ex-funcionária de Deolane Bezerra, em que um interlocutor masculino não identificado admite, em linguagem direta, que o dinheiro cobrado era “oriundo do crime” e que a família da advogada integrava uma rede de lavagem de capitais.
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O material foi registrado pela ex-colaboradora da família da Deolane e compartilhado de um procedimento que tramitou no Deinter 3, em Ribeirão Preto. No relatório final da Polícia Civil, os áudios não são tratados como simples ameaça, mas sim como corroboração externa à tese central do inquérito de que a influenciadora fazia lavagem de dinheiro para criminosos.
Danise Bastos prestava serviços de faxina para Deolane desde 2021, e a partir de 2024 passou a limpar também os apartamentos dos filhos da advogada, Gilliard e Kayky, no bairro do Tatuapé, em São Paulo. O caso envolve uma faxina do dia 24 de novembro de 2025, quando ela esteve no apartamento de Kayky.
Um dia depois, Kayky entrou em contato com Denise questionando o desaparecimento de um maço de dinheiro que estava no quarto. A funcionária negou ter levado qualquer valor, mas, no mesmo dia, começou a receber ligações de Deolane com ofensas e ameaças, exigindo a devolução de cerca de R$ 80 mil.
Trecho do relatório da Polícia Civil mostra transcrição do áudio
Reprodução
A diarista relatou à polícia que, neste mesmo dia, seguranças da advogada foram até a sua casa e fizeram buscas no imóvel, carro e celular de Denise. Segundo o relatório da Polícia Civil, a diarista afirmou que permitiu a revista por “pressão psicológica e temor”.
Com medo, a diarista decidiu voltar para Ribeirão Preto, cidade onde a família reside. Dias depois, ela passou a receber mensagens de números não identificados com ameaças por conta do suposto furto. Nos áudios, um homem desconhecido a acusa de furtar os R$ 80 mil e afirma diretamente que o dinheiro tinha origem criminosa. Por conta do assédio telemático, a ex-funcionária registrou boletim de ocorrência, e os arquivos foram anexados ao inquérito.
O que dizem os áudios
O relatório da Polícia Civil de São Paulo traz a transcrição literal de todos os arquivos do WhatsApp que a diarista forneceu no registro de ocorrência. As mensagens foram enviadas em áudios e vídeos que são atribuídos à própria Deolane e a um interlocutor não identificado, descrito pelos investigadores como “cobrador”.
“Devolve o dinheiro do meu filho e segue a sua vida, entendeu? Vai lá aonde você guardou, pega e traz na minha casa. Devolve e segue a sua vida, porque se não… você me aguarde.”, diz Deolane.
“A Denise me conhece, de trouxa eu não tenho nem a cara. Ela me conhece… A Denise já tem passagem por roubo. Eu já sei quem é a Denise. Ela já roubou brinquedo na casa dos meus filhos pra levar pros filhos dela. Ela já fez nota de mercado de seis mil reais quando no mínimo não dava nem dois… Entendeu? Então, ela me aguarde… Eu falei pra ela: Devolve, segue a sua vida. Não queira confusão comigo.”
Cobrança do valor que teria sido furtado do apartamento do filho de Deolane Bezerra
Reprodução
“Meu amor, quem rouba, não fala não… Por que que na hora que os meninos estavam lá com ela, ela não falou… que o marido dela estava na casa dela e que ele foi embora com um monte de sacola? Ela mentiu… falou que saiu pra comer uma pizza e… Por que que ela escondeu que o cara estava lá? Que o cara foi embora com um monte de sacola pra Ribeirão? Não tem indícios? Não tem prova? A mulher entra sem sacola… sai com uma sacola gigante, com uma blusa de frio dentro que não daria metade daquela sacola… toda espalhada e com uma sacola branca em cima? Você acha que isso não é prova?”
Além dos áudios de Deolane, os arquivos trazem mensagens do “cobrador” ainda não identificado. A partir desse momento, além das ameaças, o homem admite a origem dos valores e descreve com clareza o esquema de lavagem de dinheiro.
“Ó, na hora que você chegar, você liga aqui; pra gente não ter que bater na porta da sua casa de novo, lá. Vou te mandar seu endereço aí; Vou te mandar o endereço do serviço do seu marido; falamos com o seu sobrinho, lá. […] Vamos resolver isso daí da melhor forma… Mas se você meter o loco em nóis, vai ser poca ideia, falou? Aí nóis já vai mudar as ideias com você, certo? Você foi lá, fez sua caminhada lá; firmeza no lance; só que você não sabia que o dinheiro era do crime… Tá pela ordem… Devolve o dinheiro. […] Só que o dinheiro é nosso, irmão. O dinheiro é oriundo do crime… Nóis lava dinheiro nos parceiros lá. A mãe do parceiro, o parceiro fecha com nóis; então faz favor… Devolve o dinheiro aí, vai tê os oitenta mil de volta. As imagens está aí… Eu estou te mandando só pra você ver que nóis fez a puxada da sua vida todinha. Você não vai fazer nóis bater de novo na porta da sua casa, né?”
Na interpretação dos investigadores, os termos usados pelo interlocutor podem ser entendidos da seguinte forma: o “parceiro” que “fecha com nóis” é identificado como Kayky, filho de Deolane, dado que o dinheiro desapareceu no seu apartamento; a “mãe do parceiro” é lida como referência direta a Deolane Bezerra, inserindo-a no esquema narrado pelo próprio “cobrador”.
Em seguida, o mesmo interlocutor prossegue:
“…você catou o dinheiro lá na caminhada lá, com o menino lá, filho da Deolane que eles são playboy; rico; o caralho a quatro… Eles lavam dinheiro pra nóis; dinheiro do crime, certo? Então, por favor, devolve nosso dinheiro… Só te peço isso, certo? Vou aguardar seu retorno aí. Então, não adianta vir com ideia, com nada; que a filmagem do dia inteirinho; da noite; só entrou você de diferente no apartamento. O dinheiro é nosso… nóis quer nosso dinheiro, por favor, tá bom?”



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/06/03/eles-lavam-dinheiro-para-nos-cobranca-de-dinheiro-do-crime-e-usada-como-prova-contra-deolane-bezerra.ghtml

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