As duas derrotas consecutivas do Botafogo no Campeonato Brasileiro acenderam o alerta no clube. Em 11º colocado, o alvinegro está a apenas três pontos do Corinthians, primeiro integrante da zona de rebaixamento. O início turbulento do técnico Tite em General Severiano — quatro derrotas, um empate e uma vitória — foi assunto neste sábado durante o treinamento do clube, ocasião em que o atacante Tiquinho Soares concedeu entrevista.
O atleta definiu que o “clima está sendo de cobrança” internamente, inclusive entre os jogadores. Depois do 3 a 0 para o Internacional, além do revés por 2 a 1 para o Remo no meio da semana, Tiquinho relatou estar vivendo uma situação inédita com a camisa alvinegra.
Até então, as memórias do atacante eram de sempre brigar na “parte de cima da tabela”, em referência ao título em 2024, assim como a perda do título para o Palmeiras no ano anterior, após um primeiro turno na ponta. Depois de passagem pelo Santos, Tiquinho assinou com o Botafogo novamente em agosto deste ano.
— A gente está se cobrando bastante, a gente sabe que está devendo no campeonato — contou Tiquinho, que mencionou que a situação do clube “deu uma apertadinha” recentemente. — Tenho certeza que vamos sair disso. Vai dar certo.
O “escudo gigantesco” do clube é um dos motivos mencionados por Tiquinho como causa da cobrança constante. O atleta pregou a união entre os jogadores como forma de “tirar o Botafogo desta situação” e pediu ainda para a torcida não “largar” o time, já que alega que o elenco irá “dar a vida” na competição: a partida contra o Atlético-MG, marcada para a próxima quarta-feira, é tratada por ele como “uma final”.
Elenco ‘fechado’ com Tite
O camisa 9 contou ainda que os atacantes do clube andam treinando mais finalizações e movimentos, para melhorar o desempenho ofensivo alvinegro (apesar de ressaltar que o “ataque não faz gol sozinho”). Nos seis jogos sob o comando de Tite, o Botafogo marcou apenas quatro gols, ante dez sofridos. Apesar do retrospecto ruim, Tiquinho Soares contou que o elenco está “fechado” com o treinador.
— É um início de trabalho abaixo. Mas a culpa é no geral, não vamos apontar o dedo para o treinador, para dizer que a culpa é só dele. A culpa é dos jogadores também, é de todos — opinou.
Entre os assuntos abordados na coletiva de imprensa, Tiquinho também foi questionado sobre um possível “bicho” — como é chamada a bonificação após as vitórias — engordado por conta da disputa contra o rebaixamento.
Segundo o atacante, é “muito barulho por uma coisa minúscula”, já que a metodologia de premiação é comum em “todos os clubes do Brasil e do mundo”. Tiquinho afirmou ainda que “não precisa de dinheiro para ganhar jogo” e pediu para elenco “esquecer o que vem de fora” nessa reta final de Brasileirão.
Dono da segunda pior defesa do campeonato, com 53 gols sofridos — atrás apenas da lanterna Chapecoense, que teve as redes balançadas 66 vezes —, o Botafogo vê o setor como um dos desafios nessas cinco rodadas finais do Brasileiro.
Gabriel Batista, goleiro do clube, também falou com a imprensa antes do treino. O atleta ressaltou que “qualquer goleiro odeia levar gol” e aposta na melhora da defesa como um dos caminhos para uma recuperação na competição.
— O grupo está focado para melhorar os resultados. E sempre tem margem para evolução: fisicamente, taticamente, mentalmente. Mas o grupo está muito unido, muito forte, para melhorar esse cenário, para conquistar as vitórias e dar uma tranquilidade maior para a nossa torcida, que merece — afirmou.
