Ex-príncipe Andrew pode ter traficado mulheres para castelo real na Escócia, investiga polícia

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Ex-príncipe Andrew — Foto: AFP


Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles 3º, pode ter traficado mulheres para exploração sexual para o Castelo de Balmoral, a residência particular de férias do monarca na Escócia.

Em uma nova etapa do caso, a polícia da Escócia confirmou que “recebeu informação” de que o ex-príncipe recebeu Jeffrey Epstein — financista condenado por abuso e tráfico sexual, inclusive de menores, e que morreu por suicídio na prisão em 2019 — e sua então noiva Ghislaine Maxwell, presa em 2022 por aliciar e traficar as jovens, na propriedade da então rainha Elizabeth 2ª.

A Rainha Elizabeth II com seu marido, o Duque de Edimburgo, e seus três filhos, Charles, Edward, Andrew e os corgies reais no Castelo de Balmoral, na Escócia — Foto: Arquivo / AFP

Epstein e Maxwell teriam visitado Balmoral a partir de 1999 a convite de Andrew, e teriam passado um tempo juntos no local. De acordo com o jornal Daily Express, a denúncia recebida pela polícia escocesa indicaria que Andrew teria traficado mulheres junto com Epstein para o castelo na época.

Procurada pelas redes BBC e Sky News para comentar a denúncia do Express, a polícia da Escócia foi cautelosa.

— Nós recebemos informação e inquéritos ativos estão em andamento, mas em seus estágios iniciais. Todas as investigações são conduzidas por provas, com as necessidades de vítimas sobreviventes no cerne de nossos questionamentos. Nunca confirmaríamos detalhes de investigações em andamento e seria inapropriado confirmar além disso — disse o porta-voz.

O ex-príncipe Andrew, expulso da coroa britânica, de quatro sobre uma menina menor de idade — Foto: Reprodução: Departamento de Justiça dos Estados Unidos
O ex-príncipe Andrew, expulso da coroa britânica, de quatro sobre uma menina menor de idade — Foto: Reprodução: Departamento de Justiça dos Estados Unidos

O primeiro-ministro escocês, John Swinney, também comentou à BBC a possibilidade de Andrew ter levado mulheres traficadas a Balmoral.

— Eu entendo a seriedade das afirmações feitas e a preocupação que foi expressada. Esta é uma questão operacional para a Polícia da Escócia investigar de forma ampla e completa e estou certo de que é exatamente o que farão — garantiu.

Fotos no castelo e voo misterioso

Em fevereiro, a polícia escocesa anunciou que estava “disposta a falar com a qualquer pessoa com informação” sobre um voo de 2006 com destino ao Aeroporto de Edimburgo, em que Andrew e Maxwell teriam voado a bordo do jato particular “Lolita Express”, de Epstein, frequentemente usado para cometer os abusos.

Promotores americanos já haviam divulgado uma foto de Epstein e Maxwell descansando na área externa de um chalé rústico dentro da propriedade do Castelo de Balmoral, em 1999.

O príncipe  Andrew e Ghislaine Maxwell, em 2000 — Foto: Tim Graham/GettyImages
O príncipe Andrew e Ghislaine Maxwell, em 2000 — Foto: Tim Graham/GettyImages

Em 2025, com a divulgação dos chamados “Epstein Files” pelo Departamento de Justiça dos EUA, tornou-se público um e-mail assinado por “A” de Balmoral, enviado a Maxwell em 16 de agosto de 2001. A mensagem ironiza: “Estou aqui no acampamento de verão de Balmoral para a Família Real. Como está LA [Los Angeles]? Já me encontrou algumas novas amigas inapropriadas?”.

Até então, o escândalo mais conhecido envolvendo Andrew e Epstein era a denúncia feita por Virginia Giuffre, que morreu em 2025 por suicídio, de que teria sido traficada para a casa de Maxwell em Londres, onde teria sido abusada pelo então príncipe. Mas o uso das atribuições reais e de propriedades da família para cometer os crimes tem sido apurada nos últimos meses.

Virginia Giuffre (centro) acusava o então príncipe Andrew (à esquerda) de abuso sexual; ela teria sido aliciada por Ghislaine Maxwell (à direita) — Foto: Reprodução da internet
Virginia Giuffre (centro) acusava o então príncipe Andrew (à esquerda) de abuso sexual; ela teria sido aliciada por Ghislaine Maxwell (à direita) — Foto: Reprodução da internet

A Thames Valley Police já investiga se Andrew favoreceu Epstein com recursos da monarquia britânica. Uma das acusações que pesa sobre o ex-príncipe é a de que ele teria enviado relatórios oficiais de suas visitas à Singapura, Vietnã, China e Hong Kong como enviado da Coroa para Jeffrey Epstein.

Ainda segundo e-mails obtidos pelo FBI, nos EUA, Andrew teria entregue informações confidenciais de oportunidades de investimentos no Afeganistão ao financista. Ele e o ex-príncipe também aparecem em outras fotografias dos Epstein Files tiradas durante uma caçada em Balmoral.

Atualmente, diversas forças policiais britânicas investigam o filho da rainha Elizabeth, entre elas a Thames Valley Police, a Metropolitan Police e a Surrey Police, todas pelo envolvimento do nome de Andrew nos arquivos do abusador, segundo o Conselho Nacional de Chefes de Polícia do Reino Unido.

Castelo de Balmoral, na Escócia — Foto: Reprodução/Redes sociais
Castelo de Balmoral, na Escócia — Foto: Reprodução/Redes sociais

O Castelo de Balmoral, nas Terras Altas da Escócia, pertence ao monarca (e não à Coroa) desde 1852, quando a rainha Vitória e o príncipe Albert compraram a propriedade. Desde então, a família passa os verões reunida no local; foi lá ainda durante uma destas temporadas de descanso que morreu a rainha Elizabeth 2ª em 2022.

O rei Charles 3º retirou em 2025 todos os títulos do irmão, inclusive aquele com que nasceu — o de príncipe —, devido ao escândalo de sua associação com Epstein. Em 19 de fevereiro de 2026, seu aniversário, ele foi preso sob suspeita de má conduta em cargo público. Ele prestou depoimento e foi liberado sob investigação, mas nega qualquer acusação.

Anos antes, em 2022, Andrew havia firmado um acordo na Justiça com Virginia Giuffre e pagou a ela milhões de libras após a acusação de que ele a teria abusado quando era adolescente.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/10/31/principe-andrew-pode-ter-traficado-mulheres-para-castelo-real-na-escocia-investiga-policia.ghtml

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