A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar em duas horas a votação do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras ganhou destaque na imprensa internacional neste domingo (25). Veículos dos Estados Unidos e do Reino Unido noticiaram a confusão provocada pela medida, anunciada praticamente no horário previsto para o fechamento das urnas, em uma eleição considerada estratégica para o equilíbrio político da América Latina e para a influência dos Estados Unidos na região.
Jornais como New York Times e Guardian, além das redes BBC e CNN e da agência Associated Press (AP), acompanharam os desdobramentos da determinação judicial, que estendeu a votação até as 19h em todo o território nacional. As reportagens destacaram as dificuldades enfrentadas por mesários e eleitores diante da falta de orientações sobre o funcionamento das seções após as 17h.
A repercussão internacional ocorreu em meio à disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Além dos problemas operacionais, os veículos estrangeiros analisaram as possíveis consequências políticas do resultado brasileiro para as relações com Washington.
New York Times e BBC destacam decisão de última hora
O jornal americano New York Times relacionou a prorrogação do horário de votação às dificuldades provocadas pelo mau tempo e por problemas no transporte público, que teriam prejudicado o deslocamento de eleitores em diferentes regiões do Brasil.
O periódico também ressaltou que Cristiano Zanin foi indicado ao STF pelo presidente Lula. Segundo a publicação, a decisão gerou incertezas sobre a possibilidade de eleitores que chegassem às seções após o horário originalmente previsto conseguirem votar.
A rede britânica BBC informou que locais de votação permaneciam abertos após a extensão determinada de última hora. Já o Guardian destacou a medida no contexto de uma disputa presidencial apertada, acompanhada com atenção fora do Brasil.
Associated Press relata urnas desligadas e mesários dispensados
A Associated Press deu destaque às dificuldades práticas para cumprir a determinação do STF. Segundo a agência, mesários em Brasília deixaram seus postos logo após o encerramento inicialmente previsto para as 17h, antes que a prorrogação pudesse ser efetivamente aplicada.
No Rio de Janeiro, a agência relatou situações em que urnas eletrônicas já desligadas não puderam ser religadas, impedindo a retomada da votação em determinadas seções.
A CNN americana também abordou o impasse e informou que, conforme orientação da Justiça Eleitoral, as seções que ainda permaneciam abertas deveriam continuar recebendo eleitores até as 19h.
Posteriormente, Zanin esclareceu que a prorrogação seria aplicada apenas às urnas que não haviam sido fechadas. Os votos registrados nas seções já encerradas seriam computados normalmente, sem determinação de reabertura.
A situação evidenciou o desafio de executar uma decisão judicial de alcance nacional quando parte das operações eleitorais já havia sido concluída.
Eleição brasileira é vista como estratégica para os Estados Unidos
Além da controvérsia sobre o horário de votação, a imprensa internacional dedicou atenção ao significado geopolítico do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A Associated Press apresentou a eleição brasileira como um acontecimento relevante para a influência dos Estados Unidos na América Latina, especialmente diante da relação política entre Flávio Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump.
Na análise da agência, uma eventual vitória do candidato do PL reforçaria o avanço de governos de direita na região e poderia aproximar politicamente o Brasil da administração Trump.
Por outro lado, a reeleição de Lula manteria o Brasil, ao lado do México, entre os principais países latino-americanos governados por forças de centro-esquerda.
A cobertura estrangeira, portanto, ultrapassou os problemas registrados nas seções eleitorais. O segundo turno brasileiro passou a ser acompanhado também como um episódio relevante para a configuração das alianças políticas e diplomáticas no continente, em um momento de disputa por influência entre diferentes projetos de governo.
A controvérsia sobre o encerramento das urnas também interferiu no cronograma de divulgação dos resultados. O TSE suspendeu a publicação das parciais quando 0,25% das urnas haviam sido apuradas, enquanto a Justiça Eleitoral buscava cumprir a determinação do Supremo.
