TCU cobra explicações sobre atraso em 97% das entregas de medicamentos da Fiocruz

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Quase todas as entregas de medicamentos previstas em um acordo entre o Ministério da Saúde e a Fiocruz ficaram atrasadas no segundo semestre de 2024. Segundo fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU), 97% das remessas feitas entre junho e dezembro daquele ano não foram entregues dentro do prazo. Apenas 3% chegaram na data prevista.

O levantamento analisou o cumprimento dos prazos, e não apenas a quantidade de medicamentos entregue. Mesmo assim, os números também chamaram a atenção. Das cerca de 248,8 milhões de unidades previstas para o período, aproximadamente 106,3 milhões foram entregues, o equivalente a 43% do total programado.

Diante dos resultados, o TCU deu 60 dias para o Ministério da Saúde explicar os atrasos e informar quais medidas foram adotadas para resolver os problemas.

 

Medicamentos são usados em tratamentos contínuos

A fiscalização analisou um acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a Fiocruz para o fornecimento de medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, destinado a pacientes que precisam de tratamentos contínuos e acompanhamento especializado.

Entre os medicamentos analisados estão tacrolimo, pramipexol, sevelâmer e cabergolina.

O tacrolimo é utilizado por pacientes transplantados para evitar a rejeição dos órgãos. O pramipexol é usado no tratamento da doença de Parkinson. Já o sevelâmer auxilia no controle do fósforo no sangue de pessoas com doença renal crônica, principalmente pacientes que fazem diálise. A cabergolina é utilizada para controlar níveis elevados de prolactina.

Os medicamentos são produzidos por Farmanguinhos, unidade da Fiocruz responsável pela fabricação de medicamentos.

 

Fiscalização aponta falhas na produção e na logística

O TCU identificou problemas em diferentes etapas do processo. Entre eles estão dificuldades para conseguir insumos, problemas na produção e falhas na logística.

O tribunal também levou em consideração um ataque cibernético sofrido por Farmanguinhos em agosto de 2023.

Mas os problemas não ficaram restritos à Fiocruz. Segundo a fiscalização, o Ministério da Saúde demorou para definir as pautas de distribuição, que indicam para onde os medicamentos devem ser enviados e em quais quantidades. Também foram registrados atrasos nos repasses de recursos.

Em alguns casos, medicamentos teriam sido produzidos com base em estimativas informais, o que poderia aumentar o risco de desperdício e de perda de produtos por vencimento.

A fiscalização também encontrou dificuldades para agendar as entregas com as secretarias estaduais de Saúde e problemas relacionados a procedimentos alfandegários.

 

TCU não confirma desabastecimento nacional

Apesar dos atrasos, o TCU afirma que não é possível concluir que tenha ocorrido um desabastecimento nacional dos medicamentos analisados.

Um dos motivos é a falta de informações atualizadas e integradas sobre os estoques e o consumo dos remédios em todo o país.

O Ministério da Saúde informou ao tribunal que adotou medidas de emergência e fez remanejamentos de estoques entre estados para tentar garantir a continuidade dos tratamentos.

Para o TCU, porém, a falta de dados em tempo real dificulta saber se os atrasos provocaram falta de medicamentos em determinados estados ou municípios.

O tribunal também criticou a forma como o Ministério da Saúde acompanha os prazos de entrega. Segundo a fiscalização, os resultados eram consolidados principalmente no fim dos acordos, dificultando a identificação rápida dos problemas.

Por isso, o TCU determinou que o Ministério da Saúde apresente, em até 60 dias, os resultados das entregas de 2024 e 2025, as justificativas para os atrasos e as medidas adotadas para evitar novas falhas. O tribunal também decidiu continuar acompanhando os acordos entre o ministério e a Fiocruz.

Até a publicação da reportagem, Ministério da Saúde e Fiocruz não haviam respondido aos questionamentos sobre as causas dos atrasos, a situação atual das entregas e possíveis impactos no abastecimento do SUS.



Com informações da fonte
https://mancheterio.com.br/tcu-cobra-explicacoes-sobre-atraso-em-97-das-entregas-de-medicamentos-da-fiocruz/

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