A cena já virou rotina nos condomínios brasileiros: discussão na portaria, bate-boca na guarita e até casos de agressão, ameaças e invasões após desentendimentos sobre quem deve buscar o pedido. De um lado, moradores que exigem a entrega na porta do apartamento. Do outro, entregadores que trabalham contra o relógio e não são obrigados a subir. No Rio de Janeiro, inclusive, uma lei determina que as entregas de pequeno porte sejam feitas na portaria, salvo exceções como idosos e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Ainda assim, a guerra do delivery continua.
Mas quem pode acabar com essa dor de cabeça talvez não seja a Justiça, e sim a tecnologia. Condomínios de alto padrão já começaram a apostar em elevadores exclusivos para delivery. O entregador deixa a encomenda na portaria, um funcionário coloca o pedido no equipamento e, em poucos segundos, a comida chega diretamente ao andar do morador. Sem discussão, sem atraso e sem ninguém precisar sair do apartamento.
A novidade já tem endereço. Um empreendimento da FR Incorporadora, no Setor Marista, em Goiânia, será o primeiro da capital goiana a contar com um elevador exclusivo para entregas. A proposta é adaptar os prédios à nova realidade das cidades, onde o delivery deixou de ser exceção para se tornar parte da rotina. A previsão é que o condomínio seja entregue em julho de 2029.
E a revolução não deve parar nos empreendimentos de luxo. Robôs autônomos desenvolvidos pela startup goiana Synkar em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) já conseguem receber pedidos na portaria, chamar o elevador sozinhos, subir até o apartamento e avisar o morador quando a entrega chega. A tecnologia já é usada em projetos com o iFood, além de hospitais e centros logísticos, e deve ganhar espaço em condomínios nos próximos anos.
Se a inovação realmente decolar, uma das maiores fontes de confusão da vida em condomínio pode virar coisa do passado. Em vez de brigas, atrasos e vídeos que viralizam nas redes sociais, robôs, inteligência artificial e elevadores inteligentes prometem fazer aquilo que nem leis, síndicos ou campanhas conseguiram: colocar um ponto final na guerra do “desce para buscar”.

