- A experiência de voar com a Royal Air Maroc:
- O que fazer no Marrocos: veja nosso roteiro de 5 dias, com foco nas montanhas.
- Roteiro Dia 1: Casablanca
- Roteiro dia 2 e 3: Tânger
- Dias 4 e 5 — Chefchaouen: O Azul Que Não Cabe em Foto Nenhuma
- Dia 6: Akchour e a Cachoeira Escondida
- Onde se hospedar em Chefchaouen: O Dar Ba Sidi
O carioca já pode comemorar. A Royal Air Maroc, companhia nacional do Marrocos fundada em 1953, anunciou que iniciará voos diretos do Rio de Janeiro para Marrocos em 2027. Também de olho no passageiro brasileiro, a companhia aumentou a quantidade de voos saindo de São Paulo para Casablanca: até fim desse ano, implementará uma quinta frequência na rota direta entre as duas cidades.
– O Rio de Janeiro é um dos cartões-postais do Brasil mais cobiçados do mundo, e uma das cidades mais admiradas pelos nossos passageiros, tanto no Marrocos, quanto na Europa. Há uma demanda crescente por voos para a Cidade Maravilhosa pela nossa companhia, que pratica tarifas competitivas, serviços a bordo com a hospitalidade marroquina e excelência operacional – afirma Othman Baba, diretor regional da Royal Air Maroc na América do Sul.
Os voos , tanto de SP quanto do Rio, serão operados pelo Boeing 787-9 Dreamliner, aeronave de longo curso de última geração. De acordo com Baba, o Brasil tem se consolidado como um mercado estratégico para a Royal Air Maroc, que vem apresentando um ocupação de cerca de 85% em suas aeronaves.
A previsão no plano global é de que, até 2037, a Royal Air Maroc aumente a frota para 200 aeronaves, transportando 32 milhões de passageiros por ano até o fim do período. Isso é mais de 4 vezes o volume desde início do plano, 2019, de 7,5 milhões.

A experiência de voar com a Royal Air Maroc:
Voamos na classe econômica, assento premium, num voo de 9 horas até Casablanca. Foi um voo ótimo, em aeronave nova, e equipe eficiente e bem treinada. Aqui vão minhas impressões:
Espaço e Conforto: no Boeing 787 Dreamliner, a Premium oferece poltronas com 96,5 cm de espaço (e apoio para deitar o pé), 51 cm de largura e 18 cm cm de inclinação, além de comodidades extras como kits com meias, máscara de dormir e fones de ouvido. A configuração é 2x3x2. Achei muito confortável e, inclusive, consegui dormir o voo todo. Em relação à econômica, tem 23% mais de espaço para pernas e na largura do assento, e 75% mais de reclinação.


Entretenimento e Cabine: O Dreamliner possui janelas que escurecem ao toque. Filmes e entretenimento estão disponíveis em telas individuais, e há pacotes de wifi para compra, caso o passageiro desejo trocar mensagens ou ver streaming.
Bagagem: O passageiro pode levar até 2 malas de 23 kg, além da de cabine.
Serviço de bordo: A equipe é bem treinada, gentil e atenciosa. O cardápio costuma misturar a culinária marroquina com pratos internacionais. Além da refeição quente, é servido ainda um lanche.

O que fazer no Marrocos: veja nosso roteiro de 5 dias, com foco nas montanhas.
Longe da loucura (maravilhosa de Fes e Marrakesh), esse roteiro traz uma imersão nas terras altas do Marrocos, num roteiro de bem-estar e imersão cultural.

Roteiro Dia 1: Casablanca
O voo da Royal Air Maroc partiu às 00h30, chegando em Casablanca às 13h25. Nosso hotel foi o Barceló, muito bem localizado, e próximo da Mesquita Hassan II e da Medina, principais atrações da cidade. Recomendo.
Nesse dia, faça seu check-in e vá direto para a Mesquita Hassan II, uma das maiores do mundo e aberta a não-muçulmanos.
Construída sobre o Atlântico, com um minarete de 200 metros que aponta para o céu como uma declaração de fé, um dos maiores espetáculos arquitetônicos do continente africano. Mais de 10 mil artesãos trabalharam na sua construção.


De lá, siga para a Corniche, o calçadão de Casablanca. A Medina e o mercado de Casablanca são interessantes, mas se o tempo for curto, pode pular. Haverão outras mais interessantes.
Para o jantar, vá no El Kaid, um dos restaurantes mais celebrados da cidade, instalado em um antiga sinagoga à entrada da mesquita. Peça o couscous vegano: é delicioso.


Roteiro dia 2 e 3: Tânger
De Rabat a Tânger são pouco mais de duas horas de trem de alta velocidade pela ONCF — o mais moderno da África. Chegue cedo: Tânger merece ser visitada com calma.
Cidade-fronteira entre a África e a Europa, a apenas 14 quilômetros da costa espanhola, Tânger sempre foi um lugar de passagem, de espionagem, de exílio e de reinvenção. Paul Bowles morou aqui por décadas. Matisse e Delacroix vieram buscar luz e cor. Os Stones gravaram aqui.
Comece pela Medina e pela Kasbah, no ponto mais alto da cidade. Desça pela Rue Es Siaghin, a rua dos ourives, e pare no Grand Socco e no Petit Socco, as duas praças que funcionam como o coração pulsante da Medina.


Não deixe de visitar os Souks, onde é possível comprar tapetes e outros artigos marroquinos. Tênger tem ainda uma antiga necrópole, e túmulos fenícios.
Visite também o Cap Spartel, o ponto onde o Atlântico encontra o Mediterrâneo, a 14 quilômetros do centro.
Para comer, sugiro o Casa Seville. E também restaurante Palais Zahia. Tanger ainda tem ótimo cafés; entre os obrigatórios estão o Café Baba e o Porto Rico. Nesse último, prove o café com especiarias.

Dias 4 e 5 — Chefchaouen: O Azul Que Não Cabe em Foto Nenhuma
De Tânger para Chefchaoen são cerca de 3 horas de carro. Conhecida como Cidade Azul, fica encravada nas montanhas do Rif, e foi fundada em 1471 por Moulay Ali Ben Rachid, como uma fortaleza para defender a região contra invasões portuguesas no norte do Marrocos.


Com o tempo, recebeu refugiados muçulmanos e judeus vindos da Espanha após a Reconquista, o que influenciou fortemente sua cultura e arquitetura.
A população da cidade sempre foi uma mistura de grupos: amazighs (os antigos bérberes) da região, árabes, andalusinos muçulmanos expulsos da Espanha e comunidades judaicas sefarditas. E isso tudo está escrito em seus costumes e arquitetura.


A famosa cor azul veio com os judeus que se estabeleceram na cidade nos séculos XV e XVI. Eles pintavam paredes e ruas de dessa cor motivos religiosos, associando a cor ao céu e à presença divina.

Hoje, o azul é a principal marca da cidade e atrai visitantes do mundo inteiro.
Uma cidade de tradições e espiritualidade
Chefchaoen é uma cidade mágica e tranquila. Das janelas, cantos religiosos se derramam sobre as ruas, e eu me deixo embalar como se fosse um mantra. Embora turística, a Cidade Azul tem vida própria, e mantém tradições milenares.
Uma delas é o chamado farran, um forno comunitário e que é uma das instituições mais antigas e fascinantes da cultura marroquina. Funciona assim: as famílias preparam a massa do pão em casa e levam crus ao farran.
O padeiro — o farrani — cuida do forno a lenha, bate os pães e os devolve prontos. Para identificar qual pão pertence a qual família, cada uma tem um carimbo de madeira próprio — chamado tabaa — com um desenho único, quase como uma assinatura.

O farran é também o ponto de encontro da vizinhança — especialmente das mulheres, que se cruzam lá toda manhã e trocam notícias, reclamações, receitas e histórias enquanto esperam.
Visitei um deles, e. fui presenteada com um pedaço de pão; um presente que carrega muito do que é a Cidade Azul.
Andei pelas ruas de Chefchaoen , me perdi no labirinto da Medina, parei em lojas de chás, tendas de comércio, e posso dizer que hospitalidade é um forte da cidade. Embora mulher, e sozinha nesse passeio, não fui abordada e nem assediada. Pelo contrário: encontrei homens gentis, mulheres que se comunicam pelo sorriso, e uma população que acolhe o turista com carinho.

Sem falar nos gatos: rodei a medina com um saco de ração (como faço em todas as viagens). O meu carinho pelos animais foi um elo. Eles agradeciam com a mão no coração (o que é um gesto profundo no Oriente), me chamaram para mostrar casas de papelão com mantas feitas filhotes, e iniciaram conversas em francês, segunda língua no país. Mas o diálogo que travamos, na realidade, foi além das palavras.

Gatos são considerados animais tahir (puro), e o Profeta Maomé tinha uma gata chamada Muezza que ele amava profundamente. Existe até uma história famosa de que ele cortou a própria manga do manto para não acordá-la quando ela estava dormindo sobre ele. Por causa disso, alimentar um gato nas cidades islâmicas não é apenas simpatia por animais — mas um ato espiritual.
Dito isso tudo, se perca pelas ruas da Medina, e prepare-se para comprar itens lindos. O artesanato “bérbere” é lindíssimo, especialmente a tapeçaria e as louças.

Dia 6: Akchour e a Cachoeira Escondida
A 30 quilômetros de Chefchaouen, fica Akchour, um parque natural que esconde cachoeiras e poços. Logo na chegada, há um percurso leve de cerca de 40 minutos que passa por uma sequência de quedas d’água e poços. Para esse, pode-se ir sozinho.
Há ainda um outro percurso mais puxada, que passa por cascatas e mirantes, mas para esse é necessário um guia, calçados adequados e um pouco mais de preparo físico.
Uma boa ideia é almoçar em Akchour, já que há restaurantes no local.

Onde se hospedar em Chefchaouen: O Dar Ba Sidi
Em árabe marroquino, Dar Ba Sidi significa casa do avô — e é exatamente essa a proposta do hotel. Casa de avô é onde se come bem, onde se vive bem, onde se é feliz. É a partir dessa ideia de acolhimento afetivo que o Dar Ba Sidi funciona.
O hotel foi concebido e construído do zero por Najib Sidqui, o proprietário, que acompanhou pessoalmente cada etapa do projeto — incluindo o plantio de todas as árvores do terreno.

– Concebi o hotel pensando em oferecer uma experiência de paz e tranquilidade, porque é isso que as pessoas buscam hoje. E nesse lugar mágico – conta ele.
O hotel é banhado por dois rios, conta 8 bangalôs, suítes dispostas nos Riads, além de uma tenda para eventos com capacidade para 150 pessoas, restaurante de comida marroquina, e um espaço dedicado a aulas de culinária equipado com forno a carvão. Além de piscina, spa e área de ginástica.



A localização, entre as montanhas e o ar limpo do Rif, reforça a proposta de uma hospedagem voltada para o relaxamento e o contato com o ritmo local. O forno tradicional e as aulas de culinária posicionam o Dar Ba Sidi não apenas como um lugar para dormir, mas como uma experiência de imersão na cultura marroquina.


Sublinho ainda a hospitalidade do Dar Ba Sidi, com jantares tradicionais elaborados para que os hóspedes mergulhem nas tradições das montanhas. Uma experiência completa, que vai deixar saudade.

