Linha 634 começa a operar e inaugura modelo sem pagamento em dinheiro nos ônibus do Rio

Boletim RJ
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A linha 634 (Bananal x Saens Peña), uma das principais ligações entre a Ilha do Governador e a Zona Norte do Rio, começou a operar neste domingo (17) sob gestão da Mobi-Rio e se tornou a primeira linha municipal da cidade a não aceitar pagamento em dinheiro dentro dos ônibus. ([Tempo Real RJ][1])

A nova operação faz parte do processo de reformulação do sistema de transportes da Prefeitura do Rio e funciona como projeto-piloto da mudança que será ampliada para toda a rede municipal a partir do próximo dia 30 de maio, quando os ônibus municipais deixarão de aceitar pagamento em espécie diretamente ao motorista, permitindo embarque apenas por meio do sistema Jaé ou Riocard, no caso dos usuários do Bilhete Único Intermunicipal.

Segundo a prefeitura, a linha seguirá funcionando 24 horas por dia, com 25 ônibus novos climatizados e itinerário ligando o Bananal, na Ilha do Governador, à Praça Saens Peña, na Tijuca, passando por regiões como Fundão, Benfica, São Cristóvão e Leopoldina.

O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), e o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, acompanharam o primeiro dia da operação. A prefeitura afirma que a retirada do dinheiro dos coletivos busca reduzir o tempo de embarque, aumentar a segurança e eliminar a dupla função dos motoristas, que deixam de realizar cobrança e troco durante as viagens.

Mudança gerou reação na Câmara e na Alerj
O anúncio do fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais provocou reação de parlamentares na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro ao longo da última semana.

Na Câmara do Rio, vereadores questionaram os impactos da medida sobre passageiros sem acesso a aplicativos, cartões bancários ou internet, além da exclusão digital de idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Parlamentares cobraram esclarecimentos da prefeitura sobre o funcionamento do sistema Jaé e os pontos de recarga espalhados pela cidade.

Já na Alerj, o presidente da Comissão de Transportes, deputado Dionisio Lins (PP), afirmou durante sessão plenária que a comissão oficiaria a prefeitura e o Ministério Público do Rio (MP-RJ) para discutir a legalidade da medida.

Durante o debate, deputados também levantaram preocupação com passageiros que utilizam dinheiro em espécie como principal meio de pagamento e com a adaptação da população ao novo modelo digital.

A prefeitura passou afirma que “não haverá o fim do dinheiro” no sistema de transportes, mas apenas o fim da circulação de cédulas dentro dos ônibus. Segundo o município, os usuários continuarão podendo usar dinheiro para carregar cartões Jaé em máquinas de autoatendimento, terminais do BRT e pontos credenciados.

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