Maricá abriu oficialmente o caminho para um dos projetos mais ambiciosos e potencialmente mais caros de sua história recente: transformar água do mar em água potável. A Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar) publicou, no último dia 7 de maio, chamamento público para um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) voltado à implantação de um sistema de dessalinização no município.
O próprio termo de referência da iniciativa descreve o projeto como de “elevada complexidade técnica, jurídica, regulatória, ambiental e econômico-financeira”.
O detalhe que chama atenção é que a prefeitura decidiu avançar com estudos para uma estrutura que pode envolver Parceria Público-Privada (PPP), Sociedade de Propósito Específico (SPE), financiamento nacional e internacional, modelagem tarifária, emissário submarino e análise de dispersão de salmoura. Mas… sem divulgar qualquer estimativa oficial de custo do empreendimento.
Na prática, o município quer que empresas privadas apresentem estudos completos contendo projeções de CAPEX (investimento), OPEX (custo operacional), consumo energético, custo por metro cúbico, taxa interna de retorno, garantias financeiras e viabilidade econômica do sistema.
Edital não apresenta teto para ressarcimento dos estudos técnicos
O edital também não apresenta teto público para eventual ressarcimento dos estudos técnicos que poderão ser aproveitados futuramente pela administração.
A modelagem prevista pela Codemar envolve uma engrenagem típica de grandes projetos de infraestrutura. Os documentos citam possibilidade de concessão, parceria público-privada, estruturação de garantias, captação de recursos com bancos nacionais e organismos multilaterais, além da criação de arranjos societários específicos para viabilizar o empreendimento.
Os estudos também deverão avaliar alternativas como captação direta em mar aberto, poços de infiltração na praia, emissários submarinos para descarte do concentrado salino e diferentes tecnologias de dessalinização.
No próprio diagnóstico técnico, a Codemar admite que Maricá já enfrenta um cenário de pressão hídrica. O documento afirma que parte do município depende do Sistema Imunana-Laranjal, que abastece outras cidades da Região Metropolitana e já opera com capacidade comprometida.
O texto também aponta que rios e poços usados no abastecimento local apresentam “alto grau de estresse hídrico”, além de alertar para impactos futuros das mudanças climáticas, crescimento populacional e expansão industrial da cidade.
Expansão mobiliária é uma das justificativas
Entre os argumentos usados para justificar o PMI estão justamente a expansão imobiliária, o crescimento urbano acelerado, a criação de parque tecnológico, polos industriais e o aumento da demanda hídrica para atividades produtivas e turísticas.
O edital estabelece prazo de 30 dias para que empresas interessadas apresentem propostas de participação no PMI. Já os estudos completos poderão levar até sete meses para serem entregues.
Por enquanto, a única certeza é que Maricá começou a desenhar um projeto de altíssima complexidade técnica e alto potencial financeiro. No entanto, o valor final dessa conta permanece submerso.
COM FÁBIO MARTINS
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/prefeitura-quaqua-quer-agua-potavel-mar/

