A decisão do governo federal de elevar as alíquotas de importação sobre Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT) gerou forte reação no setor produtivo. A FecomercioSP classificou a medida como um “grave equívoco”, alertando que o chamado tarifaço tecnológico vai encarecer investimentos, reduzir a competitividade e atrasar a inovação no país. Para a entidade, o caminho deveria ser o oposto: uma abertura gradual e previsível, até alcançar a média mundial de 4% nas tarifas.
Críticas além do comércio
Não apenas o comércio se posicionou contra. Quatro associações representativas dos setores de data centers, software e tecnologia também criticaram a resolução Gecex nº 852/2026. Segundo elas, o aumento de tarifas contraria os objetivos do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Data Centers (Redata) e ameaça a competitividade do Brasil na economia digital.
Impacto nas empresas
As entidades destacam que o encarecimento dos equipamentos e softwares essenciais para a digitalização vai atingir em cheio as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Essas companhias, que sustentam grande parte da economia nacional, terão mais dificuldade para investir em tecnologia e competir em pé de igualdade com grandes corporações. Setores como comércio eletrônico, logística, saúde e educação devem sentir os efeitos de forma imediata.
Contradição diplomática
O aumento das tarifas também expõe uma incoerência na política externa brasileira. Enquanto o país critica o protecionismo dos Estados Unidos e defende o multilateralismo, internamente adota medidas que elevam barreiras e ampliam incertezas. Para especialistas, essa postura fragiliza a credibilidade do Brasil nas negociações internacionais.
Mobilização contra a medida
A FecomercioSP já iniciou articulações junto ao Ministério da Fazenda e ao MDIC para tentar reverter a decisão. Outras entidades do setor de tecnologia também se organizam para pressionar o governo. O consenso entre elas é claro: tarifas mais altas não fortalecem a indústria nacional, mas sim a isolam, tornando o Brasil menos competitivo em um momento em que a inteligência artificial e novas tecnologias definem o ritmo da economia global. E no final, o cidadão é quem paga a conta.
