A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado, programou para o próximo dia 25 de fevereiro a votação de requerimentos para que os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sejam convidados a comparecer ao colegiado para prestar esclarecimentos sobre o escândalo do Banco Master.
A CPI é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) e tem como relator Alessandro Vieira (MDB-SE). Ambos já indicaram tom crítico ao escândalo envolvendo a instituição financeira.
Também estão previstas a análises de pedidos para que José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF, e para que Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, sejam convidados a falar na CPI.
O ministro Dias Toffoli era o relator no Supremo do caso envolvendo o Banco Master, mas deixou a função nessa quinta-feira após um relatório da Polícia Federal revelar mensagens de Daniel Vorcaro, dono do banco, que faziam citações ao ministro. O novo relator é o ministro André Mendonça.
Como um dos motivos de justificativa para o convite a Toffoli, o requerimento, de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE) diz que “a condução do inquérito envolvendo o Banco Master pelo Ministro Dias Toffoli foi marcada por decisões processuais e administrativas pouco usuais em investigações criminais de alta complexidade”.
Girão também é o autor do pedido de convite a Moraes. O parlamentar, que também pediu o convite para a mulher do ministro, aponta que “há notícias de que o ministro Alexandre de Moraes realizou contatos diretos com o presidente do Banco Central do Brasil para tratar de assuntos de interesse do Banco Master, instituição com a qual sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato profissional de expressiva relevância econômica, abrangendo atuação perante órgãos públicos sensíveis”.
O Banco Master foi liquidado após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que, em novembro do ano passado, deflagrou a operação Compliance Zero. A apuração resultou na prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras relacionadas à emissão e comercialização de títulos de crédito irregulares. Ele foi solto em seguida.

