Reclamar adianta? Para os técnicos no futebol brasileiro, de alguma forma, sim. Os dez treinadores mais indisciplinados dos últimos cinco anos no país — considerando a quantidade de partidas para receber um cartão, amarelo ou vermelho — têm, em média, mais jogos (158) à frente de suas equipes em relação aos mais disciplinados (142). Já o aproveitamento é levemente superior, com uma vantagem mínima: 1,59 contra 1,57 ponto por partida — média é feita por um cálculo de três pontos por vitória e um por empate, independentemente da competição.
Os números do levantamento realizado pelo Bolavip Brasil não provam que reclamar assegura a qualidade de um profissional, mas permitem discutir como o treinador performático, que gesticula na beira do gramado, confronta a arbitragem e joga para a torcida, pode ter uma percepção diferente de seu trabalho.
— Acho que esse comportamento ajuda a criar em vários treinadores uma identificação com o torcedor. Como se ele fosse uma figura que defendesse as cores e a honra do clube. Existe a percepção dos profissionais de que é necessário você ter esse comportamento para ser plenamente aceito e pertencente ao grupo de pessoas daquele clube — avalia Rodrigo Coutinho, comentarista dos canais Sportv.
Obs: Levantamento considera jogos do Campeonato Carioca, Paulista, Gaúcho, Mineiro, Brasileiro Série A, Brasileiro Série B, Copa do Brasil e todas as competições internacionais oficiais disputadas entre 1º de janeiro de 2022 até o dia 4 de agosto de 2026.
Famoso por suas críticas à arbitragem e seu temperamento efusivo na beira do campo, Abel Ferreira, do Palmeiras, é, disparado, o treinador com mais cartões no levantamento: 76 em 332 jogos. Mas, quando se leva em conta o total de partidas, ele não é o mais indisciplinado, já que, em média, leva 4,37 partidas para receber um cartão — o português também é o técnico com mais jogos no período e melhor aproveitamento.
A liderança do ranking fica por conta de António Oliveira, compatriota de Abel Ferreira, que passou por Cuiabá, Coritiba, Corinthians, Sport e Remo, com um cartão a cada 3,03 jogos. Já o argentino Luis Zubeldía, ex-São Paulo e demitido na semana passada do Fluminense, fecha o pódio da lista dos indisciplinados com média de 3,33.
— Acho que esse tipo de comportamento do treinador (que o leva a ser punido com cartão) muitas vezes é pensado, até performático para fazer pressão a um juiz no próximo lance ou ser aceito pela torcida de uma forma mais fácil — completa Coutinho.
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Na outra ponta da tabela, Filipe Luís, ex-Flamengo, aparece como o mais disciplinado, com apenas um cartão em 108 jogos, e desafia a lógica do treinador performático. Multicampeão pelo rubro-negro, ele é o técnico com segundo melhor aproveitamento da lista (2,01 pontos por jogo), atrás apenas de Abel Ferreira. Os dois têm rendimentos parecidos, mas números opostos de cartões.
Na sequência da lista, aparecem Léo Condé, com passagens por Sampaio Corrêa, Vitória, Ceará e atualmente no Remo, que, em média, passa cerca de 57 jogos para levar um cartão, e Vágner Mancini, ex-América-MG, Ceará, Atlético-GO, Goiás e hoje no Red Bull Bragantino, com média de 44,2.
