A Binance informou nesta terça-feira que os hackers responsáveis por um roubo de US$ 6,3 bilhões utilizaram técnicas de engenharia social, incluindo falsas entrevistas de emprego, além de softwares maliciosos. A empresa divulgou o relato mais detalhado até agora sobre como o ataque aconteceu.
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A Binance, que atribuiu o ataque à Coreia do Norte, afirmou que a invasão envolveu uma “campanha sofisticada, em várias etapas”. Segundo relatório publicado nesta terça-feira, um dos engenheiros da empresa foi contatado por meio de uma plataforma de busca de empregos por alguém que se apresentava como diretor de projetos da companhia.
O funcionário foi então entrevistado por uma pessoa que alegava ser o diretor-presidente de uma empresa fictícia, por meio de um aplicativo de mensagens. Durante a conversa, recebeu a solicitação de baixar uma tarefa que continha um “repositório de código malicioso”. Isso desencadeou uma série de atividades não autorizadas, segundo o relatório.
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“Não foi um único erro nem uma única invasão. Foi uma campanha construída ao longo de muitos meses”, afirmou Richard Teng, co-diretor-presidente da Binance. Os atacantes “combinaram falsas entrevistas de recrutamento, softwares maliciosos disfarçados de ferramentas legítimas para desenvolvedores, dispositivos comprometidos e técnicas de inteligência artificial”.
Nove dias antes do ataque, os hackers utilizaram o laptop do funcionário atraído para a falsa entrevista de emprego para invadir os computadores de outros dois engenheiros de software que trabalhavam nas carteiras digitais da Binance.
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Segundo o relatório, os hackers usaram uma “ferramenta interna de IA” para obter acesso, sem especificar qual era a ferramenta nem como ela foi utilizada para assumir o controle dos laptops dos funcionários.
Um desses dois engenheiros havia baixado acidentalmente, em junho, um software malicioso ao tentar instalar o que a Binance descreveu como “uma popular ferramenta de programação baseada em IA”. Com isso, expôs ao hacker a natureza de sua função, bem como a de alguns colegas que trabalhavam nas carteiras digitais da empresa, segundo o relatório.
A nova revelação sobre como os hackers conseguiram desviar bilhões da Binance ocorre enquanto a corretora de criptomoedas — e o setor como um todo — tenta se recuperar do maior ataque da história dos roubos cibernéticos.
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A invasão aprofundou uma crise de segurança crescente em um setor que já enfrenta uma onda de ataques cibernéticos. A inteligência artificial está ampliando a ameaça, ao oferecer novas ferramentas para que criminosos identifiquem vulnerabilidades e enganem funcionários, elevando os riscos para plataformas que custodiam bilhões de dólares em ativos digitais.
Técnica já foi usada em outros ataques
Ainda assim, as técnicas utilizadas para invadir a Binance são estratégias conhecidas e recorrentes da Coreia do Norte, segundo órgãos de segurança pública e pesquisadores de cibersegurança. A empresa de segurança cibernética Palo Alto Networks, inclusive, cunhou o termo “Contagious Interview” (entrevista contagiosa) para descrever as táticas de falsas entrevistas de emprego.
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Em 2022, hackers norte-coreanos usaram uma falsa oferta de emprego para enganar um engenheiro do jogo de criptomoedas Axie Infinity e realizar um roubo de US$ 590 milhões.
Três anos depois, a República Popular Democrática da Coreia invadiu a corretora de criptomoedas Bybit e roubou US$ 1,5 bilhão, até então o maior roubo de ativos digitais da história, segundo empresas de análise do setor.
Nas horas seguintes ao ataque, inicialmente noticiado em 29 de outubro, a Binance afirmou que os invasores poderiam ter comprometido o laptop de um engenheiro de software, o que teria permitido aos criminosos retirar criptomoedas da corretora.
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Em uma publicação posterior, a empresa disse que o ataque era “complexo” e que havia “identificado pontos adicionais de invasão”, sem fornecer mais detalhes. Pouco depois da exploração da vulnerabilidade, operadores do mercado, profissionais de cibersegurança e emissores de tokens correram para responder às consequências do ataque.
As gigantes de stablecoins Tether e Circle Internet Group Inc., além de outras entidades, congelaram rapidamente — ou impediram que os hackers movimentassem — quase US$ 3 bilhões em recursos.
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Empresas de análise se mobilizaram para rastrear o fluxo de criptomoedas e acabaram atribuindo o ataque à Coreia do Norte, acusação que o país negou. Alguns operadores do mercado aproveitaram a turbulência.
Binance tenta conter danos e tranquilizar clientes
Durante toda a crise, a Binance procurou tranquilizar seus usuários, afirmando que arcaria com os custos financeiros do ataque. Ainda assim, a corretora suspendeu os saques por quase dois dias após o incidente.
Na manhã de domingo, a Binance começou a liberar gradualmente os saques. A empresa registrou inicialmente bilhões de dólares em retiradas, mas a situação parece ter se estabilizado. Na terça-feira, informou que os depósitos por hora já superavam os saques no mesmo intervalo.
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A Binance também afirmou que praticamente recompôs as criptomoedas roubadas pelos hackers, utilizando recursos de seu caixa corporativo e de dois fundos de seguro.
A corretora também está trabalhando com autoridades policiais dos Estados Unidos, incluindo o FBI, o Serviço Secreto americano e o Departamento de Justiça. O FBI, que entrou em ação pouco depois do ataque para auxiliar a Binance, também atribuiu a invasão a hackers norte-coreanos.
Em 2026, a Binance identificou e impediu 57 tentativas de ataque de hackers ligados à Coreia do Norte, segundo o relatório que detalha o roubo cibernético.
A empresa afirmou ainda que implementou diversas medidas de mitigação após o ataque, incluindo a reconstrução da infraestrutura de criptomoedas afetada, o desenvolvimento de uma nova versão da ferramenta interna de IA, o reforço das verificações de segurança e a implementação de um detector baseado em inteligência artificial.
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Apesar do ataque histórico, os efeitos sobre o mercado permaneceram limitados. Inicialmente, o Bitcoin caiu mais de 4% após a invasão, chegando perto de US$ 76 mil. Desde então, a maior criptomoeda do mundo recuperou parte das perdas e era negociada em torno de US$ 77.600 nesta terça-feira.
