Cerca de 32% dos internautas brasileiros com 16 anos ou mais, o equivalente a 45 milhões de pessoas, relataram ter sofrido tentativas de golpe com o uso de seus dados pessoais, enquanto 20% foram vítimas efetivas dessas fraudes. Os dados inéditos são da terceira edição da pesquisa “Privacidade e proteção de dados pessoais”, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e apresentada no 17° Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, em São Paulo.
As abordagens ocorrem majoritariamente por aplicativos de mensagem, citados por 84% dos afetados, seguidos por ligações telefônicas, sites ou aplicativos falsos, SMS, e-mails e redes sociais. Especialistas destacam que usuários que navegam apenas pelo celular apresentam maior vulnerabilidade a páginas falsas do que aqueles que utilizam computadores.
Além do prejuízo financeiro e do estresse emocional, os golpes preocupam pelo risco de perda de acesso a serviços públicos essenciais ao comprometer contas como o portal Gov.br. A pesquisa também revelou que os impactos das fraudes são mais severos entre a população de menor escolaridade, evidenciando a necessidade de unir a cultura de proteção de dados ao desenvolvimento de habilidades digitais.
O levantamento investigou ainda a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial generativa sob a ótica da privacidade. Embora o uso profissional e acadêmico seja o mais frequente, grande parte dos entrevistados recorre às plataformas para conselhos, suporte emocional, dúvidas de saúde e preferências pessoais.
Essa proximidade reflete no nível de preocupação: 66% dos usuários demonstraram apreensão quanto à forma como as empresas gerenciam suas informações pessoais, índice que chega a 72% entre as pessoas com maior escolaridade.
No cenário corporativo, 69% das empresas brasileiras declararam armazenar dados de clientes, tendo a biometria e as informações de saúde como os registros mais mantidos. Apesar disso, o avanço na adequação formal à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) estagnou. Apenas 16% das companhias nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO) e somente 20% mantêm áreas dedicadas exclusivamente ao tema.
Por outro lado, o setor público registrou avanços na criação de estruturas de privacidade, que passaram a estar presentes em 42% dos órgãos. O desenvolvimento é mais expressivo nos poderes Judiciário, Legislativo e no Ministério Público, superando os índices do Executivo.
Avanços semelhantes foram observados nas áreas de saúde e educação públicas, onde o treinamento de equipes e a criação de documentos de segurança aumentaram. Contudo, a preocupação com o vazamento de dados e a falta de clareza nos termos de uso ainda figuram como obstáculos para a adoção de novas tecnologias educacionais em diversas redes de ensino.
