O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza nesta sexta-feira (29) uma reunião estratégica para definir a posição oficial do Brasil após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O encontro reúne integrantes do Palácio do Planalto, do Ministério da Justiça e do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), e tem como objetivo alinhar o discurso institucional diante da decisão americana.
A gestão federal avalia não apenas o tom da resposta, mas também se o posicionamento será feito diretamente pelo presidente Lula ou conduzido pelo Itamaraty. Há preocupação com possíveis impactos diplomáticos, políticos e econômicos da medida.
A reunião ocorre após meses de diálogo entre Brasil e Estados Unidos sobre o tema. Segundo integrantes do governo, o Planalto já havia manifestado posição contrária ao enquadramento das facções brasileiras como organizações terroristas.
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, reagiu publicamente à decisão americana. Ele destacou que o combate ao crime organizado é essencial, mas não pode servir de justificativa para qualquer tipo de intervenção externa no país.
Em nota divulgada na quinta-feira (28), Amorim reforçou a importância da cooperação internacional, especialmente no combate à lavagem de dinheiro e ao contrabando de armas, mas ressaltou a necessidade de respeito à soberania nacional.
“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou.

