O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Douglas Ruas (PL), utilizou a abertura da sessão plenária desta terça-feira (26) para responder às declarações feitas pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último fim de semana sobre o Parlamento fluminense.
Durante o pronunciamento, Douglas Ruas afirmou que a Alerj “respeita as instituições da República” e cobrou reciprocidade por parte das autoridades nacionais. Segundo o parlamentar, qualquer tentativa de “generalizar ou criminalizar” os deputados da Casa representa um desrespeito ao Legislativo estadual e aos eleitores fluminenses.
O presidente da Assembleia destacou ainda que os parlamentares foram eleitos democraticamente pelo voto popular. “Aqui estão reunidos mais de 3 milhões de votos. Quando o presidente nos ataca de forma generalizada, é um ataque ao povo fluminense”, declarou. Ruas também afirmou que, caso existam suspeitas contra algum deputado, elas devem ser formalizadas por meio das instâncias competentes.
Ao comentar os problemas de segurança pública no estado, Douglas Ruas relacionou a situação à ausência de políticas nacionais de combate ao tráfico de armas e ao fortalecimento das facções criminosas. Segundo ele, o cenário exige “união institucional, equilíbrio e responsabilidade”, sem declarações que possam ampliar divisões políticas ou atingir instituições democráticas.
Outros parlamentares também criticaram as falas do presidente da República. Entre eles, a segunda vice-presidente da Alerj, deputada estadual Tia Ju (REP), classificou as declarações como uma afronta ao voto popular e ao sistema democrático.
Após os discursos em plenário, a Alerj divulgou uma nota oficial reiterando que a Assembleia é uma instituição democrática e legítima, além de defender respeito ao Parlamento fluminense e aos representantes eleitos pela população do estado.
Nota na íntegra:
“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República.
É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A Alerj é uma instituição democrática, legítima e merece respeito.
O Rio de Janeiro enfrenta desafios históricos na segurança pública, muitos deles relacionados inclusive à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país.
O momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições.
Seguiremos trabalhando pelo fortalecimento da democracia, da segurança pública e da defesa da população do Estado do Rio de Janeiro.”


