A votação expressiva de Márcio Canella e Antônio Rueda em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, entrou no radar das investigações da Polícia Federal sobre a possível atuação de grupos criminosos nas eleições de 2026. A suspeita é de que estruturas ligadas à milícia tenham sido utilizadas para influenciar eleitores e favorecer candidaturas no município.
Investigadores apuram a existência de possíveis currais eleitorais associados ao grupo político do ex-prefeito Márcio Canella (União Brasil), preso na quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne.
O caso também chama atenção pela concentração de votos recebidos pelo presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, que disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.
Rueda recebeu 60% dos votos em Belford Roxo
Natural de Pernambuco, Rueda transferiu seu domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro e construiu uma aliança política com Canella, que comandava uma das principais bases eleitorais do União Brasil na Baixada Fluminense.
Eleito deputado federal com 155.836 votos, Rueda recebeu 93.874 deles em Belford Roxo. O resultado representa aproximadamente 60% de toda a votação conquistada pelo dirigente partidário no estado.
Durante a campanha, os dois políticos participaram de atividades conjuntas. Rueda chegou a utilizar o slogan “federal do Canella”, numa referência direta à aliança com o ex-prefeito.
Canella, por sua vez, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), com cerca de 197 mil votos. Segundo os dados apresentados pela TV Globo, ele alcançou 54% da votação para deputado estadual no município.
A concentração eleitoral, isoladamente, não comprova irregularidades. A investigação busca esclarecer se houve interferência de organizações criminosas na liberdade de escolha dos eleitores.
PF apura influência de grupos criminosos
A suspeita de utilização de milicianos para favorecer interesses eleitorais integra uma investigação mais ampla sobre as relações de Canella com integrantes de organizações criminosas e agentes públicos.
A Operação Unha e Carne também apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.
De acordo com a Polícia Federal, Canella teria desempenhado papel de articulação política dentro da estrutura investigada. Os agentes analisam movimentações financeiras, contatos com empresários e possíveis relações com integrantes de grupos criminosos.
O ex-prefeito teve a prisão preventiva mantida pela Justiça Federal nesta sexta-feira (16), após audiência de custódia. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigação amplia pressão sobre grupo político
A apuração sobre possíveis currais eleitorais acrescenta uma nova dimensão às suspeitas envolvendo Canella, ao levantar questionamentos sobre a influência de organizações criminosas no processo eleitoral de Belford Roxo.
Até o momento, os elementos apresentados não permitem concluir que a votação de Rueda tenha sido obtida mediante coação ou participação em irregularidades. Também não representam comprovação de envolvimento do presidente nacional do União Brasil nas práticas investigadas.
Por meio de sua advogada, Sheila Lustoza, Canella afirmou que “confia em Deus, na Justiça e tem certeza de que tudo será esclarecido”.
