O vereador Professor Tulio (PSOL) apresentou duas representações, à Corregedoria-Geral da Polícia Militar e ao Ministério Público do Estado do Rio, solicitando celeridade e rigor na investigação sobre a abordagem do Segurança Presente que terminou com a morte do pizzaiolo Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, em Icaraí. Os documentos também são assinados pela deputada federal Talíria Petrone e pelo deputado estadual Flávio Serafini.
Nas representações, os parlamentares também reivindicam o uso obrigatório de câmeras corporais pelos agentes do programa e medidas de controle externo, além de treinamento continuado sobre técnicas de abordagem e uso proporcional da força.
Alves foi baleado na cabeça na noite do dia 12, quando seguia de moto para o trabalho. O jovem estava na Rua Mariz e Barros quando foi abordado por agentes do Segurança Presente. Imagens de uma câmera de segurança obtidas pelo GLOBO mostram policiais se aproximando em motocicletas. Um deles lança spray contra Alves e, na sequência, outro efetua um disparo que atinge o jovem na cabeça. O policial responsável pelo tiro foi preso.
A versão apresentada pelo agente à polícia é que o disparo teria sido involuntário. Uma testemunha, no entanto, relatou que Alves havia parado a moto e levantado as mãos antes de ser atingido. A dinâmica da abordagem é investigada pela Corregedoria da PM e pela Delegacia de Homicídios. Alves permaneceu internado e teve a morte encefálica confirmada quatro dias depois.
— A ação dos nossos mandatos pede abertura imediata de inquérito. É preciso investigar com muito rigor a conduta que levou à morte do Danilo. É muito triste e também completamente revoltante o que aconteceu. Nós vamos lutar por justiça para o rapaz e sua família — disse Professor Tulio.
Nas representações, os parlamentares afirmam que querem uma apuração “integral, independente e rigorosa” da atuação dos agentes envolvidos.
A morte interrompeu os planos de um jovem que, segundo a família, tinha uma rotina dedicada ao trabalho e à construção do sonho de cursar Gastronomia. Morador do Gradim, em São Gonçalo, ele vivia no mesmo local que a mãe.
O tio, Douglas Souza, lembra do sobrinho como um rapaz de temperamento tranquilo e muito ligado à família. A moto usada por Alves no dia da abordagem também tinha um valor especial: era o primeiro veículo que ele havia conseguido comprar e, além de servir para o trabalho, representava uma conquista pessoal.
— Ele chegou a falar para a mãe que, quando morresse, queria doar os órgãos. A gente só não imaginava que isso fosse acontecer dessa maneira. Ele queria ajudar as pessoas mesmo depois de morrer, mas não precisava ser assim — lamentou o tio.
