O Tsunami enfrenta a maior maratona logística da história do clube em 2026, com a Série D e a Série A2 do Carioca acontecendo em paralelo.
O Maricá Futebol Clube vive a temporada mais exigente de sua história. Pela primeira vez desde que o clube passou a se chamar Maricá FC, em 2018, o Tsunami disputa ao mesmo tempo duas competições nacionais distintas: a Série D do Campeonato Brasileiro e o Campeonato Carioca Série A2. O calendário duplo impõe viagens de mais de 700 quilômetros para o interior de São Paulo intercaladas com partidas em Maricá pelo estadual, um desafio logístico e físico que o técnico Marcus Alexandre já classificou como um dos maiores da temporada.
O ponto de partida foi um rebaixamento amargo. Em 8 de março de 2026, o Maricá encerrou a participação na elite do Campeonato Carioca após uma goleada de 5 a 2 sofrida pela Portuguesa — resultado que o condenou à queda no quadrangular do rebaixamento.
O Maricá entrou naquela rodada decisiva à frente do Nova Iguaçu nos critérios de desempate, mas não conseguiu sustentar a vantagem: a Portuguesa construiu a goleada, o Nova Iguaçu venceu o Sampaio Corrêa no outro jogo, e o Tsunami terminou o quadrangular na última posição, rebaixado. Com isso, o clube passou a disputar a Série A2, competição que tem como objetivo direto o retorno à primeira divisão estadual em 2027.
Ao mesmo tempo, a confirmação na Série D pelo segundo ano consecutivo era tratada pela diretoria como conquista institucional.
A combinação dos dois calendários criou uma situação inédita para o projeto maricaense. Entre abril e meados de junho, o clube enfrenta rodadas pela Série D e pela Série A2 praticamente na mesma semana, com tempo reduzido de preparação entre os compromissos.
Em um dos períodos mais intensos, o Maricá viajou cerca de 795 quilômetros até Bauru, no interior paulista, para enfrentar o Noroeste pela Série D, e voltou a campo três dias depois pelo Carioca A2, no Estádio João Saldanha. O técnico Marcus Alexandre foi direto ao descrever o impacto: “Tivemos pouco tempo de preparação, trabalhamos apenas um dia, já que viemos de um jogo difícil no meio da semana contra o Resende, pelo Carioca A2.”
Tecnologia e gestão de elenco como resposta
Para sustentar dois campeonatos sem comprometer o rendimento, o clube adotou um sistema de monitoramento tecnológico dos atletas.
Em entrevista exclusiva ao Maricá Info antes da estreia na Série D, Marcus Alexandre revelou que o Maricá utiliza equipamentos para avaliar o estado físico de cada jogador antes de definir quem entra em campo: “O Maricá hoje tem uma estrutura tecnológica que permite avaliar os atletas e colocar os melhores sempre em campo fisicamente. A gente consegue colocar em campo os atletas que estão melhores condicionados, melhores recuperados, que possam desenvolver essa performance e trazer as vitórias pro Maricá.”
O treinador também destacou que o intervalo entre os dois estaduais foi fundamental para implementar sua filosofia de jogo, algo que não havia sido possível quando chegou ao clube no meio do Cariocão.
Segundo ele, os reforços contratados para a temporada passaram por monitoramento criterioso antes da assinatura: “Nós fizemos um monitoramento de todos esses atletas que se destacaram no estadual, tanto no Rio quanto fora, e tivemos o privilégio de trazer esses destaques pro Maricá para que a gente possa atingir o nosso objetivo.”
Objetivos diferentes, pressões parecidas
Na Série D, o Maricá disputa o Grupo A14 ao lado de Nova Iguaçu, Sampaio Corrêa, XV de Piracicaba, Noroeste e Velo Clube. Os quatro primeiros avançam ao mata-mata, que define o acesso à Série C. A classificação na Série D pelo segundo ano consecutivo já é celebrada como marco histórico, dado que o clube estreou na competição apenas em 2025.
O rendimento no turno inicial foi oscilante: após chegar à terceira posição com sete pontos, o time sofreu duas derrotas consecutivas e precisou recuperar terreno no returno.
Na Série A2 do Carioca, a situação é mais favorável. Com duas vitórias em casa nas últimas rodadas, incluindo um 1 a 0 sobre o São Gonçalo com gol de Pablo Thomaz, o Tsunami chegou a seis pontos e subiu para a terceira colocação, empatado com América e Americano.
O campeão da competição sobe diretamente para a Série A do Carioca 2027. Marcus Alexandre traçou os objetivos sem rodeios ao assumir o comando: “O nosso objetivo é conquistar a Série A2 e, se possível, também o acesso pela Série C. O Maricá se reforçou para uma temporada inteira.”
João Saldanha como trunfo
Em meio à maratona de deslocamentos, o Estádio João Saldanha surge como ponto de equilíbrio. O treinador tem reiterado a importância do mando de campo e lembrado que o clube chegou a ficar 28 partidas invicto como mandante em temporadas anteriores.
“O Maricá sempre foi muito forte dentro de casa. Ele conquistou os acessos dentro de casa, ele conquistou a Copa Rio aqui dentro de casa. A gente quer retornar essa marca e fazer com que a equipe fique forte dentro de casa”, disse Alexandre.
A fase decisiva da Série D e as rodadas finais da Série A2 acontecerão em junho e julho, exatamente no mesmo período em que a Prefeitura de Maricá realiza o evento “Maricá na Copa”, programado de 11 de junho a 19 de julho. Com telão, transmissões ao vivo dos jogos da Seleção Brasileira, presença de ex-jogadores e espaço gastronômico com empreendedores locais, a iniciativa pretende transformar a cidade em polo de celebração do Mundial na região.
O João Saldanha e o “Maricá na Copa” funcionarão, portanto, como dois pontos de encontro simultâneos da torcida maricaense, com o futebol do Tsunami e o futebol da Seleção dividindo a atenção da cidade semana a semana.
No cenário do Mundial, o Brasil chega ao torneio com favoritismo expressivo para liderar o Grupo C, que inclui Marrocos — semifinalista e quarto colocado em 2022 —, Escócia e Haiti. A Seleção, sob o comando de Carlo Ancelotti, estreia em 13 de junho contra Marrocos, em Nova Jersey, no MetLife Stadium, que também sediará a final em 19 de julho.
Em uma casa de aposta regulamentada, o Brasil aparece com cotação de 1,18 para apostar na Copa do Mundo como líder do Grupo C, mas ocupa apenas a quinta posição entre os favoritos ao título, atrás de seleções europeias. Esse cenário reflete as odds que separam o favoritismo do Brasil na fase de grupos do ceticismo quanto às fases eliminatórias.
O próximo compromisso do Tsunami pela Série D está previsto para o dia 16, contra o XV de Piracicaba, novamente no João Saldanha. Pela Série A2, o time volta a campo no dia 20, fora de casa, contra o América. Dois jogos, duas competições, uma semana.

